Farsa desmascarada: Deputado Paulinho da Força é condenado pela Justiça

Diante de denúncias envolvendo pessoas públicas, é preciso separar o joio do trigo, pois, neste assunto, tem sindicalistas que atuam com respeito aos trabalhadores. Não é o caso do deputado federal Paulinho, presidente da central Força Sindical e que foi condenado pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. O parlamentar perdeu os direitos políticos por cinco anos. Paulo Pereira foi condenado por improbidade na utilização dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o presidente da Força Sindical, conhecida como “Farsa Sindical”, contratou a Fundação João Donini sem licitação para ministrar cursos profissionalizantes para desempregados e pessoas de baixa renda utilizando recursos do FAT.

Na decisão, o tribunal afirma que a fundação “não possuía, nem possui, nem de longe, finalidade educacional específica e adequada aos propósitos do convênio firmado entre o Ministério do Trabalho e a entidade sindical ré”.

A história desta central sempre foi nebulosa e marcada por conciliações com as elites. Podemos entender as atitudes escusas de Paulinho resgatando a origem da Força Sindical, em 1991. Ela surgiu com o apoio dos empresários e do então governo do presidente Fernando Collor de Melo. A ideia era fazer frente a atuação da CUT, que surgiu junto com a fundação do PT e se tornou uma entidade importante na luta contra as medidas ruins do governo.

Paulinho e os dirigentes da Força sempre fizeram “jogo duplo”: um discurso firme na frente dos trabalhadores e, nos bastidores, a costura de grandes acordos com os empresários e apoio aos governos que sempre procuraram atacar os direitos dos trabalhadores. Apoiou Temer no golpe contra Dilma e é a favor das reformas da Previdência e trabalhista.

FARRA NO MINISTÉRIO

Recentemente, a ISTOÉ publicou matéria denunciando a existência de uma indústria de criação de sindicatos no Ministério do Trabalho, com um balcão de negócios para se conceder cartas sindicais. Diante das denúncias, o Ministério Público Federal analisou vários pedidos de registros de sindicatos.

Descobriu que um dos operadores do esquema seria o secretário nacional de Relações de Trabalho do ministério, Carlos Cavalcante de Lacerda, ligado ao deputado Paulinho da Força (SD-SP). Segundo o representante da Associação Nacional dos Servidores Efetivos das Agências Reguladoras, Tiago Botelho, que tenta desde 2009 obter o registro sindical, a homologação da sua entidade não ocorreu porque ele não topou fazer “o jogo” de Carlos Cavalcante de Lacerda.

“Os emissários do Carlos quiseram que a gente entrasse no esquema, mas eu não jogo. Sempre (vêm com) uma conversa estranha: o que você pode fazer pela gente?”, conta ele. Os procuradores já tomaram depoimento de Carlos de Lacerda, que evidentemente negou tudo.

O MPF identificou um “fura-fila” sindical e questionou, por exemplo, o que PPR-SP (ligado a restaurantes, empresas e comércio) fez para ter o registro homologado pelo Ministério do Trabalho primeiro que outros 374 pedidos a sua frente.

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