História

Mais de um século de vida e luta.

O início

A Carta Sindical do Sindicato dos Comerciários de Salvador foi oficialmente assinada em 16 de julho de 1934, em plena ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. A categoria ainda estava dividida em vários sindicatos: farmácia, auto-peças, gêneros alimentícios, óticas etc. Oito anos depois, em 25 de março de 1942, acontece a unificação de todos os trabalhadores do comércio no Sindicato dos Empregados no Comércio da Cidade do Salvador, nosso atual Sindicom.

Nossa organização completou um século no ano 2000, no centenário da Associação dos Empregados no Comércio da Bahia (AECB), comemorada com festa no dia 19 de janeiro de 2000. Criada com caráter beneficente, a AECB logo assumiu papel político de destaque naquele final-início de século defendendo postos de trabalho ocupados por brancos dos negros recém-libertos.

Os então “caixeiros” que participavam ativamente da política local e nacional, inclusive fazendo greves, discordaram dos rumos que a AECB acabou tomando e fundaram a União Caixeiral da Bahia em 1º de junho de 1919, para representar apenas “os interesses” trabalhistas da categoria. Com participação ativa dos comunistas, finalmente os comerciários, liderados pelo escriturário Antônio Valença, de saudosa memória, criam o Sindicato dos Comerciários de Salvador, que recebe sua carta sindical em 16 de julho de 1934, em plena ditadura do Estado Novo.

Era um período difícil em que o sindicato lutava apenas pelo cumprimento da recém-promulgada Constituição Federal e pela criação de um instituto de previdência que acabou surgindo em 1937 – o Instituto de aposentadoria de Pensões dos Comerciários (IAPC), administrado pelo patronato da Associação Comercial da Bahia, como de resto estavam nas mãos dos patrões os demais institutos de outras categorias surgidos à mesma época. Oito anos depois, em 25 de março de 1942, acontece a unificação de todos os trabalhadores do comércio no Sindicato dos Empregados no Comércio da Cidade do Salvador, o atual Sindicom.

Até 1981, a ação do sindicato sempre esteve ligada aos esquemas dos governos – getulistas, militares…Na eleição sindical daquele ano, surge a primeira chapa de oposição, articulada por comerciários e sindicalistas de outras categorias ligados ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), tendo a frente o companheiro Reginaldo Oliveira.

Em 1987, a semente plantada em 1981 – e regada ao longo dos anos seguintes – começa a frutificar. Uma grande greve na rede de supermercados Paes Mendonça (hoje Bompreço), inicialmente por melhores salários e condições de trabalho, se espalha por outros setores do comércio, protestando também contra o sindicalismo conservador, autoritário e patronal dos então dirigentes do sindicato.

Sindicalismo Classista

Nos anos seguintes, os comunistas, já organizados na Corrente Sindical Classista (CSC) e atuando na Central Única dos Trabalhadores (CUT), passam a ocupar cada vez mais cargos na diretoria. Até que, nas eleições sindicais de abril de 1994, a diretoria eleita, presidida pelo vendedor da Feira dos Tecidos, Reginaldo Oliveira, é basicamente composta pelos bravos companheiros que lutaram pela retomada do sindicato na década de 80, acreditando no sindicalismo classista e transformador.

Os comerciários de Salvador seguramente aprovam este sindicalismo de novo tipo. Nas eleições de junho de 1999, a chapa única inscrita, também liderada por Oliveira, teve o mesmo perfil classista e transformador que continua dirigindo as ações do sindicato.

Com os classistas hegemônicos na diretoria do Sindicato, a luta da categoria ganha novo impulso e há uma modernização da estrutura patrimonial, administrativa e financeira na entidade. Os comerciários de Salvador passam a ser referência nacional na formulação de políticas por melhores salários e condições de trabalho dignas.

Além de desenvolver lutas com campanhas criativas e ousadas, o Sindicato se preocupou com outros aspectos da vida dos trabalhadores e trabalhadoras do comércio: convênios na área de educação, casa própria e saúde; campeonatos de futebol, envolvendo quase mil trabalhadores em 60 equipes; criação do Espaço Cultural, produzindo oficinas de teatro para os comerciários e apresentação de espetáculos no Teatro Dias Gomes, além do Forró Xaxado na Praça Mário Lago e exposições de artes plásticas na Galeria Clementina de Jesus.

A vitoriosa luta dos domingos

A principal conquista da categoria foi a regulamentação do trabalho aos domingos e feriados. Depois de 10 anos trabalhando de graça nesses dias especiais, a categoria assegurou benefícios importantes: pagamento de 34 domingos, com direito à folga e revezamento.

Isso só foi possível com a aprovação da Lei Oliveira, que assegurou o direito do Sindicato negociar os direitos para o trabalho nesses dias. A partir dai, os acordos tem sido aprimorados. O desafio atual é garantir também a regulamentação dos 18 domingos festivos, que ainda não são pagos.

Essas conquistas são marcas do sindicalismo classista desenvolvido pela diretoria da entidade. A nossa história tem sido construída com determinação, combatividade e respeito a uma categoria que é tão importante quanto o comércio para o desenvolvimento das economias do país, do estado e do município.

Texto baseado em artigo do então assessor de Formação Político-Sindical do sindicato e historiador Amarildo Carvalho, publicado na revista VITRINE, editada pelo Sindicom em janeiro de 1997, com complementos da imprensa do Sindicato.