Mulheres exigem respeito, fim da violência e mais direitos

Mulheres, entidades feministas e sindicatos celebraram, nesta quinta-feira (8), o Dia Internacional da Mulher com uma caminhada entre a Praça da Piedade e o Dique do Tororó. “Constatamos que a luta das mulheres no Brasil propiciou grandes avanços, especialmente nos governos de Lula e Dilma: Lei Maria da Penha, criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, a implantação do programa ‘Mulher, Viver sem Violência’, o Ligue 180, que recebe denúncias de violações de direitos das mulheres”, pontuou Rosemeire Correia, secretária de Gênero do Sindicato dos Comerciários.

Além disso, grande parte dos programas sociais priorizaram as mulheres, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e o Plano Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres. Mas, está tudo ameaçado pelo governo Temer. Como se não bastasse, é preciso mudar dados da violência: uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil e – segundo relatório da Organização Mundial da Saúde – o Brasil ocupa a 7ª posição entre as 83 nações mais violentas para as mulheres.

No mercado de trabalho, mesmo sendo 53,5% da população economicamente ativa do país, uma trabalhadora com salário médio recebe 71,3% do rendimento do homem. Quem possui nível superior, recebe 60% do rendimento dos homens. Quanto à inserção nas empresas, apenas 40% das mulheres trabalham com carteira assinada, enquanto esta proporção fica em 50% para os homens.

Por isso, as mulheres ocupam as ruas pela valorização do trabalho, em homenagem as 127 operárias têxteis da fábrica Cotton, nos EUA, que foram assassinadas neste dia (em 1857) pelos patrões, após uma greve por melhores condições de trabalho. A luta é para resistir e transformar, como defendem a União Brasileira de Mulheres (UBM) e o Fórum Social Mundial, que será realizado em Salvador.

REFORMA TRABALHISTA

As sindicalistas ressaltam que a reforma trabalhista é perversa com as trabalhadoras. A gestante poderá exercer atividade insalubre ou periculosa se apresentar atestado de saúde que autorize a sua permanência nesse tipo de trabalho. A indenização por assédio moral e sexual será de acordo com condição social da vítima e de acordo com o salário que recebe. Assim, sairá mais barato assediar as trabalhadoras assalariadas. Mulheres deixarão de ter direito a descanso com a revogação do artigo 384 da CLT. Acaba com o direito do descanso de 15 minutos antes de começar uma jornada extraordinária.

“Nossa homenagem e respeito às mulheres, destemidas, guerreiras, com seu andar e pensar femininos na busca por uma nova sociedade, mais humana, justa e igualitária para todos”, ressaltou Rosa de Souza, vice-presidenta da CTB Bahia.

Para a secretária de Gênero do Sintrasuper, Taina de Jesus, “ainda temos muito a conquistar. Por isso, as trabalhadoras devem estar com o seu sindicato, lado a lado, para garantir direitos importantes que estão ameaçados.”

Também ativista da luta LGBT, Sueli Santos entende que a figura da mulher passou a ser algo extremamente importante na sociedade atual. “Ela exerce cada vez mais um papel de protagonista, mesmo ainda sofrendo com as heranças históricas do sistema patriarcal. Com as lutas, conseguimos aumentar nosso espaço nas estruturas sociais e no mercado de trabalho, assumindo cargos importantes”, ponderou.

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