Precarização e atraso nos salários motivaram mais de 2 mil greves em 2016

A precarização no ambiente de trabalho e o atraso no pagamento dos salários foram o fio condutor para a organização de 2.093 greves em 2016. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e foram publicados em agosto deste ano. (Acesse o estudo na íntegra)

O estudo também apontou que 81% das paralisações foram para manter direitos. “São greves cujo objetivo é apenas manter direitos, e não obter novas conquistas. E em 56% das greves, o atraso no pagamento de salários motivou movimento. Reivindicações propositivas estiveram presentes em 34% das paralisações”.

Reivindicações
A exigência de pagamento dos salários em atraso foi a principal reivindicação das greves em 2016 e reajuste salarial, a segunda (Tabela 7).

O Dieese também verificou que os trabalhadores da esfera pública paralisaram suas atividades em mais ocasiões (1.100 registros) que os trabalhadores da esfera privada (986 registros). Também em relação à quantidade de horas paradas, que equivale à soma da duração de horas de cada greve, as mobilizações dos trabalhadores da esfera pública superaram – e de modo ainda mais acentuado – aquelas da esfera privada: em termos proporcionais, 74% das horas paradas nas greves de 2016 corresponderam a paralisações da esfera pública.

Greves no funcionalismo público
Em 2016, o DIEESE registrou 979 greves nos três níveis administrativos do funcionalismo público (Tabela 10), que contabilizaram mais de 96 mil horas paradas. Os servidores municipais, que deflagraram cerca de dois terços dessas paralisações, registraram 60% das horas paradas.
Greves na esfera privada

Em 2016, o DIEESE registrou 986 greves realizadas pelos trabalhadores da esfera privada (Tabela 36), que contabilizaram mais de 36 mil horas paradas. As greves deflagradas no setor de serviços destacaram-se tanto em número de ocorrências (702), como em horas não trabalhadas (quase 26 mil horas), representando mais de 70% do total de registros desses indicadores.

A maior parte desses movimentos colocava-se contra o descumprimento de direitos. É importante ressaltar que parte expressiva dos trabalhadores em serviços atuam como terceirizados. Das paralisações realizadas no setor, algumas devem ser mencionadas, como as ocorridas em transportes coletivos por ocasião das campanhas salariais dos rodoviários, movimentos que vêm se intensificando desde os protestos de 2013, quando o tema do transporte urbano adquiriu grande importância no debate público.

Os trabalhadores bancários, para além da greve de categoria realizada na data-base, deflagraram um grande número de greves em agências, principalmente contra a realização de demissões. Ainda deve ser citada as greves promovidas em todo o país pelos vigilantes que, além dos reajustes da data-base, exigiam o pagamento do adicional de periculosidade estabelecido em lei federal.

140 mil horas paradas

Categorias historicamente mais organizadas, como metalúrgicos e bancários, também paralisaram as atividades em 2016. Na metalurgia, foram 181 movimentos, o maior número na indústria. A paralisação de grandes obras levou à deflagração de 55 greves na construção civil. Nos serviços, foram 702 paralisações, a maioria do âmbito privado, que registrou 986 greves.

O setor de serviços também respondeu pelo maior número de horas paradas nas empresas privadas. Foram 36 mil horas. Porém o funcionalismo público concentrou o maior número de horas paradas. Das 140.3214 horas, o setor público respondeu por 74% desse tempo de suspensão de trabalho. As paralisações foram rápidas: 81,8% acabaram com até dez dias. As que duraram apenas um dia responderam por 46,8% dos movimentos.

Portal CTB – Com informações do Dieese

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