UNA-LGBT classista

* Josélia Santos Ferreira

A UNA-LGBT, composta por lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis, nasceu em outubro de 2015, em São Paulo, com a proposta de reforçar a luta política e a emancipação humana. A entidade se contrapõe a qualquer forma de opressão, numa perspectiva avançada e socialista, lutando contra o racismo, o machismo, o sexismo, a lgbtfobia e outras discriminações.

Fundamentada a partir da luta de classes, atua firmemente contra a LGBTfobia no mercado de trabalho, espaço excludente para nós, especialmente para pessoas do segmento T (travestis e transexuais), vítimas em potencial da exclusão social e do mercado de trabalho brasileiro. Ainda que se consiga um emprego, o preconceito e a ignorância predominam, não garantindo a permanência ou ascensão nas empresas, que não estão devidamente preparadas para respeitar os direitos quando se trata de trabalhadores e trabalhadoras LGBTs, como, por exemplo, o nome social.

Formada por pessoas conscientes, a UNA-LGBT reúne militantes de todo o Brasil e vem crescendo rapidamente. Recentemente foi refundada em Salvador e Juazeiro. É também composta por jovens que defendem a garantia dos direitos humanos e a consciência de classe, e por representantes sindicais. A categoria comerciária em Salvador tem representação na organização: eu e a companheira Sueli Bahia, que somos diretoras do Sintrasuper e do Sindcom. Juntas, faremos esse debate no comércio visando preparar trabalhadoras e trabalhadores para enfrentarmos o racismo.

A luta racial perpassa intimamente pela luta de classes, que se expressa nos conflitos gerados nas empresas. Nossa categoria reflete exatamente esse contexto. Somos majoritariamente negros e negras descendentes da periferia. Outro desafio é criar um coletivo LGBT no Sindicato e atuar junto com a UNA-LGBT e outras frentes de luta do segmento para debater o tema no movimento sindical e fora dele.

Esperamos que o resultado dessa luta seja melhorar as condições de trabalho para as pessoas LGBTs, incluindo cláusulas nas convenções coletivas de trabalho que amplie os direitos civis e trabalhistas desta parcela importante da sociedade.Para isso, atuaremos junto a FEC Bahia (Federação dos Comerciários da Bahia), a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), a Rede Afro LGBT e demais entidades públicas e privadas, visando fortalecer e dar visibilidade a esta importante pauta no mercado de trabalho. Todo esse esforço mostra que há uma combinação entre as atribuições no Sindicato, na UNA-LGBT e em outras frentes de luta, numa perspectiva do socialismo moderno.

* Diretora do Sintrasuper, negra, lésbica e estudante de Direito da Unime.

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