Acuado com possível cassação, Cunha abre processo de impeachment

A atitude de Cunha foi motivada pela decisão da bancada do Partido dos Trabalhadores que não aceitou a chantagem do presidente da Câmara, de votar contra a abertura de processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha, no conselho de ética.

Na avaliação do jornalista e blogueiro Luis Nassif, “a grande notícia é a de que a presidente – e o país – livraram-se de um chantagista”. O jornalista afirma ainda que não haveria “como justificar a aliança com um futuro réu condenado – e provavelmente preso – contra uma presidente sem nenhum respingo da corrupção levantada pela Lava Jato”.

Nassif concluiu que “Cunha escolheu o pior dia para dar encaminhamento ao impeachment”, uma vez que “seu gesto caracterizou retaliação e juridicamente abuso de poder”. Ele lembrou ainda que “foi na mesma semana em que Cunha foi acusado de receber dinheiro do BTG para modificar projetos de lei, comprovando a impossibilidade de ele continuar presidindo a casa”.

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A RESPOSTA DO PLANALTO

Ainda ontem, a presidenta Dilma concedeu uma entrevista coletiva, respondendo à atitude de Eduardo Cunha. Dilma fez uma fala firme e não demonstrou qualquer desequilíbrio. Ao contrário, passou uma imagem de serenidade e tranquilidade de quem não tem qualquer acusação que desabone a sua integridade e honestidade.

Veja a íntegra da fala da presidenta Dilma: assista aqui

Dirijo uma palavra de esclarecimento a todas as brasileiras e brasileiros.
No dia de hoje, foi aprovado pelo Congresso Nacional o projeto de lei que atualiza a meta fiscal, permitindo a continuidade da prestação dos serviços públicos fundamentais para todos os brasileiros.

Ainda hoje, recebi com indignação a decisão do Sr. Presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro.

São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam este pedido.

Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim.

Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público.

Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais.

Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses.

Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública.

Nos últimos tempos, e em especial, nos últimos dias, a imprensa noticiou que haveria interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em troca, haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment.

Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha.

Muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas, bloqueiam a justiça ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública.

Tenho convicção e absoluta tranqüilidade quanto à improcedência deste pedido, bem como quanto ao seu justo arquivamento.

Não podemos deixar as conveniências e interesses indefensáveis abalarem a democracia e a estabilidade do nosso país.

Devemos ter tranqüilidade e confiar nas nossas instituições e no Estado Democrático de Direito.

Obrigada e Boa Noite!

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