Jovens entregam propostas para esporte seguro e inclusivo

Representando 17 organizações não governamentais, os adolescentes também propuseram que sejam desenvolvidos projetos esportivos e sociais para melhorar os espaços destinados às práticas esportivas, criar equipamentos de esportes nas escolas e capacitar professores para atuar com o esporte inclusivo e educacional.

Entre outras ações, eles propõem também que haja oferta de esportes menos conhecidos e divulgados nas aulas de educação física, o que implica na construção de pistas de atletismo e piscinas nas escolas e de mais quadras com materiais didáticos adequados à diversidade de modalidades esportivas, com atenção especial para as modalidades femininas.

Apoio aos jovens

Na abertura do evento, pela manhã, a chefe de gabinete da Secretaria para Assuntos Internacionais e da Agenda Bahia, Suzana Sá, representando o secretário Fernando Schmidt, destacou que o governo da Bahia acolheu com entusiasmo a proposta do Unicef de apoiar a organização da Rejupe na Bahia e ser o estado a realizar o primeiro da série de 12 encontros da Rede nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. “Este apoio se dá, por uma questão de coerência, na medida em que se identifica a inquestionável legitimidade da mobilização juvenil e sua pertinência com a prática democrática do nosso governo”.

Ela enfatizou dois aspectos relevantes da mobilização dos jovens. Um deles, “a participação do adolescente na discussão de temas que dizem respeito a sua própria vida, exercitando já a cidadania e o envolvimento do adolescente com o esporte seguro e inclusivo, no processo de sua formação educacional, o que é reconhecidamente importante para o seu desenvolvimento integral”.

Também ressaltou o grande desafio que precisa ser enfrentado, de tornar efetivo o direito ao esporte no mesmo patamar dos direitos à saúde e à educação. “A experiência histórica da luta pela conquista de direitos em todo o mundo tem demonstrado que a sua efetividade depende sempre de políticas públicas concebidas, implementadas e fiscalizadas com a participação da sociedade, em especial, dos segmentos que detêm o protagonismo dessas ações. A Rejupe surge com essa missão, na esteira dos megaeventos esportivos que o Brasil e a Bahia sediarão nessa década”.

Direito fundamental

O esporte como direito fundamental foi defendido por quase todos os palestrantes. O oficial do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para Assuntos Governamentais, Mário Volpi, afirmou que o Brasil tem condição de posicionar o esporte como direito fundamental e proporcionar as condições para o acesso de todos. O representante do Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Cidadania (Iidac), Gilbert Scharnik, disse que sem esporte a qualidade de vida é menor e que o esporte não pode ser tratado como um direito secundário.

O diretor-geral da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato, concordou e chamou a atenção para o fato de que até 2017 o Brasil vivenciará grandes eventos esportivos internacionais e é preciso estar atento ao poder transformador do esporte e à sua capacidade de aproximar as pessoas da cidadania.

Na mesma linha, o coordenador de Esportes do Escritório Municipal da Copa do Mundo Fifa 2014 de Salvador, Emerson Ferreti, falou sobre a importância do esporte e os legados sociais esperados após os megaeventos esportivos, a exemplo da democratização do esporte, sustentabilidade ambiental, qualificação profissional, inclusão social e fortalecimento cultural.

Ações de governo

Representando o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, o chefe de gabinete Elias Dourado afirmou que a Copa do Mundo tem dono, a Fifa, e é preciso muita negociação para conseguir ampliar o ganho de ter trazido a Copa de 2014 para o Brasil. “Essa negociação não é fácil e pedimos ao Unicef que também contribua dialogando com a Fifa e apresentando as reivindicações dos jovens”.

Elias Dourado fez referência às ações que estão sendo desenvolvidas pelo Governo da Bahia como os projetos Legados Sociais e Oportunidades da Copa 2014, em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O primeiro é direcionado a crianças, jovens, idosos e será realizado em 16 municípios baianos, sendo contemplados oito bairros de Salvador.

O projeto Oportunidades Copa 2014, dirigido a empresas dos ramos de hotelaria, bares e restaurantes, taxistas, baianas de acarajé, ambulantes da capital e de outros municípios, promoverá capacitação em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/BA).

As ações do governo foram detalhadas pelo representante da Secopa, Márcio Lima, que destacou a construção da Arena Fonte Nova e entorno, mobilidade urbana e acessibilidade, infraestrutura turística, ações de qualificação profissional, fortalecimento e valorização da cultura local, estruturação do sistema de segurança pública, qualificação da rede hospitalar e sistema de saúde e infraestrutura tecnológica.

Exemplos

O encontro contou com a participação de três atletas, cada um deles referência inspiradora do esporte como elemento de transformação e que, em suas falas, insistiram na importância do esporte ser compreendido como direito fundamental pelo poder que tem de contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa e do cidadão – Raimundo Nonato (Bobô), Emerson Ferreti e Gilson Andrade, este último jogador da Seleção Brasileira de Basquetebol de 1974 a 1989, formado em Business and Language e Bacharel em Direito.

Compartilhe:

Deixe seu recado