Após greve, aulas da Ufba vão invadir meses de férias e ano letivo vai até abril

A universitária Rebecca Figueiredo, 19 anos, já alterou os planos para o Verão. Não poderá curtir a Ilha de Itaparica com os pais, como faz desde pequena. Nos dias de sol, seu destino será o Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Assim como Rebecca, os mais de 40 mil estudantes da Ufba terão que rever a programação do Verão. Hoje, os professores realizam assembleia para referendar o fim da greve iniciada em 29 de maio. Mas, ontem, reunido na Reitoria da instituição, o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) já aprovou o novo calendário acadêmico, que prevê aulas em janeiro e fevereiro, além do fim do semestre 2012.2 apenas em abril do ano que vem.

14/09 a 20/10: Aulas do 1º semestre

31/10: Matrículas 2012/2

21/10 a 20/11: Férias

21/11 a 08/04/2013: Aulas do 2º semestre

Como alguns cursos não conseguiram finalizar o 1º semestre letivo por conta da greve, as aulas serão retomadas amanhã e vão até 20 de outubro. Já o 2º semestre, ainda de 2012, terá início em 21 de novembro.

“Meus pais sempre alugam uma casa na ilha e vou ficar presa em Salvador, tendo que ir para aula num sol escaldante”, reclama Rebecca, que ingressou este ano no curso de Letras.

“Já peguei a greve de cara. Estava planejando uma viagem para os Estados Unidos em junho para aperfeiçoar o inglês, mas tive que cancelar. Nem sei quando poderei ir”, lamenta a jovem, que trabalha dando aulas de inglês.

Outra que planeja viajar com a família e já desanimou é a estudante de Administração Isadora Pimenta, 21. “Meus pais nunca viajam e este ano a gente decidiu, mas agora não sei mais. O ruim é que nessa época todo mundo está de férias e eu estarei estudando. Vai ter muita reclamação e muita gente achando um saco”, vislumbra Isadora.

Por conta da greve, ela também vê mais distante o sonho de ser contratada na empresa em que faz estágio. “Quanto mais cedo eu finalizar meu curso, mais rápido poderia ser contratada. Agora é adiar por pelo menos mais um semestre e torcer para não precisar ter mais greve”, emenda.

Calor

Para a estudante de História Ana Claro Auto, 20, integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a temperatura dos meses de Verão não causará muitos problemas. “Estudar com o calor interfere, mas não é nada determinante. Ninguém vai deixar de ir por isso”, diz.

Na avaliação do pró-reitor de graduação, Ricardo Miranda, estudar no Verão não vai atrapalhar. “Em tese, o calor interfere. Isso depende muito. Existem cursos de Verão que são excelentes. A maioria das salas é climatizada. Isso já minimiza muito”, diz.

Entretanto, o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Wanderson Pimenta, destaca que ainda existem “muitas salas sem ar-condicionado”. “Temos uma série de espaços que não são climatizados. O calor agrava.

Inclusive a climatização era uma pauta dos estudantes em greve”, conta.

Ele reclama ainda do período de férias do novo calendário. “A representação estudantil apresentou outra proposta que não foi aceita. Seriam apenas 20 dias de férias e não 30”, complementa.

O pró-reitor de graduação alega que o prazo mínimo avaliado pela Ufba para que possa ocorrer a transição entre os dois semestres letivos é de 30 dias. “Precisamos desse tempo para procedimentos de matrícula, dar nota.

Gostaríamos que não adentrasse tanto em 2013. Queríamos até março, mas, do ponto de vista operacional, não havia outro remédio e o semestre 2012.2 só vai ser finalizado em abril”, explica Miranda.

Por fim, questionado sobre a previsão de início do 1º semestre letivo de 2013, o pró-reitor de graduação respondeu: “Calma, cada dia sua agonia. Deve começar em maio, mas temos que ter os 30 dias de intervalo”. Pelo que se vê, além de repensar o Verão, é bom os estudantes começarem a rever o São João de 2013.

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