Artistas baianos gritam: “Não vai ter golpe, a democracia tem que ser respeitada”

Moisés Rocha, ator e músico, relata que o Brasil tem evoluído em vários aspectos, principalmente nas questões sociais, como implantação das cotas para estudantes negros e índios. “O nosso país foi um dos últimos a implantar benefícios sociais para a sua população menos privilegiada. Hoje, a direita ultraconservadora, que não tolera estes avanços, e não aceita a legitimidade da eleição da Presidenta Dilma, tenta de forma irresponsável e criminosa se sobrepor à vontade das urnas, utilizando todos os artifícios e manobras na tentativa de implantar o golpe”, disse o ator.

Para Moisés, o artista deve se posicionar sem ódio e medo, para que se combata o retrocesso, e complementa: “Enquanto artista, é minha obrigação defender a verdade, e esclarecer também a população menos esclarecida. É difícil para um artista se expor num momento como esse, principalmente quando este não tem tanta visibilidade, por isso é fundamental que os artistas com certa visibilidade revelem seu posicionamento diante do atual cenário do país”, disse.

Em uma semana decisiva, em prol da luta contra o golpe, e contra o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, as ruas de Salvador ganharão força em um ato de protesto em defesa da democracia, nesta sexta-feira (15). “Eu conclamo para que todos que puderem chegar até a Praça Campo Grande, no dia 15, que vá, porque impeachment não é o caminho”, ressalta Lívia Ribeiro, atriz e administradora da Federação dos Comerciários (FEC).

Lívia relata que nunca frequentou a escola de Belas Artes porque sua mãe não tinha condições financeiras, mas com a chegada de um novo governo, todas as oportunidades surgiram, muita coisa mudou, principalmente na área da educação e da cultura, hoje ela se assusta com o que vem acontecendo no país. “Vejo essa onda que está assolando o Brasil, informado a população em que o país está ruim, e na verdade, a gente sabe muito bem que com a chegada da democracia no final dos anos 80, nos ajudou muito a desenvolver as questões, principalmente na área de educação e cultura, e digo mais, a arte mudou a minha vida”, explica a atriz.

Já para Rafael Manga, ator e diretor, os movimentos sociais cresceram bastante, proporcionando várias oportunidades para muitas pessoas, com isso, a classe elitizada vem sendo atingida, querendo se apropriar daquilo que o atual governo construiu. “Hoje, eles são obrigados a conviverem conosco. O menos favorecido, também tem ocupado os lugares em que a alta renda tem estado, e isso tem causado uma grande revolta, por parte deles. Querendo ou não, eles vão ter que nos aceitar, porque não vai ter golpe!” disse Rafael.

Ao questionar o papel da classe artística no engajamento da luta pelo que é certo, e por um país que defenda a sua democracia, ainda há um receio muito grande dessa categoria em se posicionar diante de tal fato. Ricardo Santiago, ator, afirma que existe sim, uma tentativa de golpe no país, e que o campo cultural deveria se aprofundar ainda mais nas questões políticas. “Acredito que nós, como artistas, temos que abrir uma discussão em nossa classe para evitar o que aconteceu em 64. O passado não pode ser esquecido, e nós não queremos esse fascismo novamente”, enfatiza.

A arte deve ter um papel político? Assumir a responsabilidade desta tarefa não parece a forma adequada para entender que a arte pode exercer, sim, um papel transformador para a sociedade e, por meio dela, construir um campo fundamental, de produção e de reflexão para todos, principalmente quando nos deparamos com o atual momento do país.

Independente de opiniões políticas, filiações ou preferências, a democracia representativa não merece retrocessos. E nesta sexta-feira (15), na Praça do Campo Grande, a classe artística se fará presente, se unindo ao povo, aos integrantes de movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos e centrais sindicais, em um manifesto político pela defesa da democracia, gritando em alto e bom som: “Não vai ter golpe!”

Por Karoliny Lima da Ascom / Sindicom

 

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