Assembleia aprova greve contra demissão do médico da UPA dos barris

Na assembleia do dia 29, que decidiu pela greve, por unanimidade, foram levantados diversos aspectos do lamentável episódio, narrados pelo próprio médico demitido e que já eram do conhecimento da diretoria do Sindimed. Em resumo, ele foi praticamente dispensado do emprego já na presença de seu substituto, durante sua própria jornada de trabalho, num plantão noturno de segunda-feira, sendo compelido a deixar a unidade em clima de profundo constrangimento. Tudo isto, após ter passado o último mês a reivindicar, de forma reiterada, a reposição do terceiro clínico plantonista, já que a equipe se encontrava desfalcada pelas férias de um deles. Vale ressaltar que a presença do terceiro clínico é uma conquista do último movimento médico reivindicatório da UPA, aprovada em acordo coletivo perante a Justiça do Trabalho, em 12 de junho 2015.

Na avaliação da diretoria do Sindimed e de profissionais da unidade ouvidos, só há uma explicação para tamanha arbitrariedade por parte da FJS: a tentativa de intimidar os médicos, que estão entre os que mais têm encampado lutas por melhores condições de trabalho em nosso estado. A violência perpetrada serviria de exemplo de como a fundação pretende lidar com aqueles que se propõem a reclamar seu direito de assistir a população em condições dignas.

Por isso, foi muito correta a decisão dos presentes à assembleia de aprovar a paralisação. A opinião geral é de que se não houver uma reação à altura por parte dos médicos, a tendência da FJS é prosseguir em sua sanha de tentar reduzir gastos, a qualquer custo, com impacto negativo nas condições de trabalho e na qualidade do atendimento, associada ao processo de repressão aos que lutam por melhorias. É preciso lembrar que o coordenador médico da UPA já tentou obrigar os clínicos a realizar suturas, os plantonistas pediatras a fazer a prescrição de rotina dos pacientes internados após a meia-noite, tentou tirar o terceiro clínico da noite e reduzir as equipes de enfermagem, além de negar a contratação do segundo ortopedista noturno, esta também uma conquista do acordo coletivo de 2015.

Contudo, para uniformizar a ação dos médicos e melhor preparar a paralisação, decidiu-se, também, realizar uma semana intensiva de denúncias sobre a demissão arbitrária e de esclarecimento à população sobre a justeza do movimento, que tem o objetivo, afinal, de garantir melhores condições de assistência à população.

Assim, será uma semana de mobilização intensa, através de rádio, TV, carros de som, etc., com desativação gradual da sala vermelha, culminando com uma nova assembleia médica no próximo dia 06, quinta-feira, quando será definido o dia mais adequado para ter início a paralisação por tempo indeterminado.

Sindimed recorre à Justiça

Paralelamente à mobilização dos médicos, o Sindimed, através de seu corpo jurídico, estará acionando a Justiça do Trabalho nos próximos dias, para reforçar a luta pela reversão da arbitrariedade cometida pela FJS e obter a reintegração do profissional ora perseguido.

Com efeito, o acordo de 2015, além de garantir o terceiro clínico e o segundo ortopedista noturnos, previu, também, que a FJS não poderia demitir em caráter de retaliação àquela luta médica. Assim, num raciocínio honesto, os advogados do Sindimed também entendem que o médico injustamente demitido posicionou-se em defesa do cumprimento do acordo conquistado e, por isso, foi atacado pela instituição filantrópica, que, ao demiti-lo, mais uma vez, descumpriu o avençado.

Fonte: CTB Bahia

Compartilhe:

Deixe seu recado