Baixa dos Sapateiros será revitalizada até 2015

Há quatro anos, um projeto de revitalização da área foi apresentado aos comerciantes, porém, os anos se passaram e a Baixa dos Sapateiros continua se degradando. Após passar por problemas burocráticos, o Estado assumiu a responsabilidade do investimento do projeto e agora promete a revitalização até 2015.

Atuando no ramo de roupas femininas há mais de 20 anos, Altemário Barbosa, informou que por conta da degradação, muitos comerciantes tiveram que fechar as portas.

“Nos anos 90, em datas comemorativas como São João e Natal havia engarrafamento de pessoas realizando compras aqui na região. Hoje, a situação é outra. Não vamos desistir de lutar pela Baixa dos Sapateiros”, pontuou.

Após 176 anos de tempos áureos e de deterioração, a região ainda resiste, mantendo-se como um comércio voltado para as classes C, D e E.

Ocentro de compras que já abrigou 400 pontos comerciais; hoje, conta com cerca de 350 lojas. Comerciantes apontam a falta de infraestrutura, limpeza urbana, iluminação e transporte público precário como fatores que contribuem para o abandono da região. O comércio ainda gera cerca de 3 mil empregos diretos e 2 mil indiretos.

Da região da Barroquinha até a Baixa dos Sapateiros existem aproximadamente 26 ladeiras que possibilitam o livre acesso de baianos e turistas aos principais pontos turísticos e bairros da cidade, a exemplo do Centro Histórico, Santo Antônio Além do Carmo, Nazaré, Saúde e Campo da Pólvora, além de estar situada próxima a Arena Fonte Nova.

O presidente da Associação dos Lojistas da Baixa dos Sapateiros e Barroquinha (ALBASA) e também comerciante, Ruy Barbosa, informou que no ano de 2008, o governo federal disponibilizou R$ 28 milhões para a revitalização do Centro Histórico, que incluía no projeto a Baixa dos Sapateiros. No entanto, por falta de licitação, o recurso foi devolvido ao governo federal. Na época, dez lojas foram desapropriadas nas proximidades do Mercado São Miguel para a instalação de uma praça, que não saiu do papel.

Ainda de acordo com Barbosa, o projeto de requalificação de 2,5 km de extensão inclui a implantação de uma passarela com ligação do Campo da Pólvora ao Pelourinho; melhorias nos terminais de ônibus; criação de novos estacionamentos; melhorias nos passeios; nova iluminação; acessibilidade e rede subterrânea; recuperação de sete casarões para habitação; reforma do Asilo São Miguel, Mercado Santa Bárbara, prédio do Corpo de Bombeiros, Cinepax; além de melhorias no Terminal do Aquidabã e construção de uma praça em homenagem a Ary Barroso, que dedicou música à Baixa dos Sapateiros.

“Mesmo com toda degradação, muitos empresários insistem em investir na região. A prova disso é a grande procura por imóveis para alugar. As Lojas Americanas, por exemplo, vai ocupar o prédio da antiga loja Romelsa. Além da revitalização, os poderes públicos precisam fazer melhorias em pontos estratégicos como: o Plano Inclinado e Elevador Lacerda. Não podemos deixar a Baixa morrer”, desabafou.

Segundo Barbosa, a Baixa dos Sapateiros é uma importante artéria do Centro Histórico, que pode servir inclusive como entreposto durante a Copa do Mundo de 2014.

“A rua serve como acesso à Fonte Nova, ao Pelourinho, à Praça da Sé e adjacências. A Baixa dos Sapateiros precisa ser revitalizada e a associação busca soluções no sentido de contribuir para melhorar a visão sobre o local”, ressaltou.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Lojistas do Estado da Bahia, Paulo Motta, por ser considerada a artéria principal do sítio histórico de Salvador onde o comércio sempre teve origem muito forte, falta ações de políticas publicas por parte do governo estadual e municipal.

Para Motta, é necessário que o poder municipal exerça seu papel fazendo intervenções de melhorais na área e criando mecanismo de incentivo fiscal para os lojistas. “A implantação de órgãos públicos seria de grande importância para a região. Além de atrair consumidores, vai gerar emprego e renda”, disse.

Em nota, o Escritório de Referencia do Centro Antigo de Salvador (ERCAS), responsável pela elaboração e implantação do plano de reabilitação do centro de Salvador, informou que em 2008 o governo do Estado da Bahia assinou um contrato de repasse, no valor de R$ 28 milhões, com o Ministério do Turismo, para serem aplicados na reforma de toda a área do Centro Histórico de Salvador. Porém, em função de trâmites burocráticos o tempo para aplicação do recurso expirou.

Contudo, as ações previstas para a Baixa dos Sapateiros foram incluídas no Plano Participativo Plurianual (PPA), integrando a grade orçamentária do governo do Estado. Dentre as intervenções, haverá apoio à capacitação e formação de microempreendedores. Ainda segundo o órgão, as obras ainda sem data para serem executadas, devem ser concluídas em 2015.

Situação do comércio

O estado de abandono da Baixa dos Sapateiros ganhou notoriedade no último dia 21 de maio, depois que parte de um prédio desabou. Diante da situação atual, comerciantes e representantes do setor buscam medidas de como salvar o comércio local.

Em protesto contra o bloqueio temporário da avenida J.J. Seabra, por conta do desabamento, na última quinta-feira (31), eles fecharam parte das lojas reivindicando a derrubada do imóvel.

Os comerciantes alegaram que por conta da situação, as vendas caíram em mais de 50% e muitos lojistas tiveram que demitir funcionários por não estarem conseguido cumprir com o pagamento dos salários, já que a maioria dos clientes que frequenta a região depende de transporte coletivo e com a interdição estão impossibilitados de chegar ao local.

A interdição da avenida. J.J.Seabra foi realizada pela Transalvador, a pedido da Defesa Civil. Na ocasião, o órgão alegou que o impacto do fluxo de ônibus poderia contribuir para o desmoronamento de outras partes do casarão, podendo gerar acidentes.

Com o bloqueio, a rota dos ônibus para acesso da população à Barroquinha estava sendo realizada pela Ladeira de Santana. Porém, após 14 dias de interdição, na manhã de ontem a circulação de veículos foi liberada na Baixa dos Sapateiros.

Depois de 14 dias interditada, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) liberou a circulação de veículos da Avenida José Joaquim Seabra. A decisão ocorreu após a vistoria realizada por engenheiros da Codesal na segunda-feira.

Em nota, o órgão informou que o risco iminente já havia sido eliminado, porém, o serviço de demolição da edificação vai continuar durante alguns dias. Com a liberação da avenida que aconteceu ontem, a esperança dos comerciantes é que eles consigam recuperar o prejuízo causado pela interdição durante os 14 dias.

A proprietária de uma loja de roupas para bebês, Tânia Sândalo, 39 anos, informou que há dez anos quando se instalou no local, o cenário era totalmente diferente. Segundo ela, nos últimos anos a situação tem piorado levando muitos comerciantes a fecharem as portas.

Ela acredita que se o governo investisse na região, a Baixa dos Sapateiros voltaria a ser o shopping a céu aberto que foi um dia. “Entre o mês de maio e junho do ano passado havia mais de dez funcionários na loja.

Atualmente, por conta da degradação e da interdição da via, estou trabalhando com quatro. Com poucos clientes, não tenho condições de contratar mais ninguém. Os governantes precisam dar uma atenção especial a Baixa dos Sapateiros. O governo promete reforma e não cumpre. A gente fica desacreditada. Não sei se os comerciantes vão resistir por muito tempo diante desta situação”, desabafou.

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