Centrais sindicais cobram redução da jornada de trabalho

Os líderes sindicais subiram a rampa do Congresso carregando bandeiras e faixas e sob os gritos de “Tá na hora de votar / 40 horas já”. Centrais sindicais anunciaram que vão manter mobilização até a votação da matéria.

A resposta do presidente da Câmara à reivindicação dos trabalhadores foi mais modesta: “No segundo semestre, vamos criar uma Câmara de Negociação para que os deputados possam discutir e produzir a solução e a viabilização desse projeto dentro do Parlamento”.

Para o deputado Assis Melo (PCdoB-RS), que também é dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “o presidente da Casa precisa compor com todo mundo, mas nós, que somos deputados e dirigentes sindicais, sabemos que é preciso pôr em votação a matéria que já está pronta”. E conclamou os trabalhadores a se unirem em torno da articulação para conseguir maioria dos votos para aprovação da proposta que é de interesse dos trabalhadores e da nação brasileira.

Mobilização necessária

O relator da Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho, deputado Vicentinho (PT-SP), também chamou a atenção para a importância da mobilização dos trabalhadores, destacando que o projeto já foi tema de várias audiências públicas e debates e já foi aprovado na Comissão Especial. “A mobilização é de grande importância para garantir as 40 horas semanais”, disse, acrescentando que “ este ano tem que ser o ano das 40 horas semanais”.

Os trabalhadores, que lotaram o Salão Negro do Congresso, foram uma amostra da multidão que as centrais sindicais pretendem trazer a Brasília no dia da votação. O dirigente da CTB, Pascoal Carneiro, anunciou o propósito de trazer cem mil trabalhadores para acompanhar essa votação. Para o presidente Marco Maia, os trabalhadores esperam que ele, que também foi metalúrgico, entre para a história como o presidente da Câmara que aprovou a redução da jornada de trabalho.

“Esses trabalhadores estão esperando que o presidente da Casa faça como o presidente Lula, que reconheceu as centrais sindicais. Saia da presidência da Casa como aquele que aprovou a redução da jornada de trabalho”, afirmou Carneiro, lembrando que a medida vai permitir a geração de mais 2,8 milhões de empregos e garantirá mais horas de convivência com a família para o trabalhador.

Compromisso com os trabalhadores

Marco Maia foi quem fez o discurso mais longo. O presidente da Câmara lembrou sua origem como metalúrgico e líder sindical e destacou que, como deputado, representa os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

Para ele, o seu compromisso é com a pauta dos trabalhadores. “Eu me coloco ao lado de vocês nesse processo”, disse, alertando que “(aprovar as 40 horas semanais) não será uma tarefa fácil, se fosse fácil outros já teriam feito, vai ser necessário debate, mobilização, articulação política”, convidando os sindicalistas a participarem ativamente desse processo.

“Se sintam em casa, como se estivessem em seus sindicatos, representado o papel que vocês representam. E nós, deputados, vamos representar o nosso papel”, anunciando a instalação, na próxima terça-feira (31), da Comissão Especial que vai tratar das terceirizações e garantir avanços significativos nessa área.

Elogios à recepção

A recepção aos trabalhadores mereceu elogios dos dirigentes sindicais. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, destacou o dispositivo de honra usado para receber os trabalhadores e anunciou que a ida das centrais sindicais à Câmara será regular. “Todas as semanas a gente virá aqui cobrar dos líderes e deputados a votação da matéria porque temos esperança de que, após 16 anos de tramitação, com o senhor na presidência, a gente possa votar a matéria e os trabalhadores posam ter o benefício das 40 horas”.

O deputado Roberto Santiago (PV-SP), vice-presidente da UGT, também elogiou a recepção. “Os trabalhadores nunca na história do país foram recebidos com tapete vermelho. Isso quer dizer que a história desse país está mudando e será contada agora para a maioria da população que somos nós trabalhadores”.

José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), também manifestou esperança de ver votada agora a matéria: “O momento significa o reinício de uma luta de 16 anos, mas o reinício vem trazer esperança, em face do presidente que temos hoje na Câmara. Estamos confiante na sua presidência e temos certeza de atingir o nosso objetivo que é reduzir a jornada de trabalho”.

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