Classe C: expansão impulsiona comércio em bairros populares

O chamado negócio de bairro cresce junto com a classe C, que chega a 53% da população brasileira. Características como necessidade de poucos funcionários e baixo investimento inicial fazem deste tipo de empreendimento um mercado atraente para iniciantes.

Com o sonho de ser o próprio patrão, pouca experiência e nenhuma pesquisa de campo, Jônatas de Jesus abriu há 4 anos a Pouco Dindim Materiais de Construção. Morador de São Cristóvão, a principal condição para a empreitada era que o ponto comercial fosse no bairro. “O empresário trabalha muito e por isso vive muito só, então este contato com os clientes do bairro é importante. Aqui acaba sendo o meu círculo social, conheço bem os meus clientes”, revela o empreendedor.

Segundo dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo Federal (SAE), na última década 25 milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza para engrossar a chamada classe média, composta por famílias com renda mensal per capita entre R$ 291 e R$ 1.019. Com a ascensão e a criação de cerca de 15 milhões de postos de trabalho, esse estrato social vê seu potencial de consumo em crescimento. Os bairros populares são a melhor via para tirar proveito deste cenário.

Populosos e geralmente de grande extensão territorial, os bairros populares detêm boa parte dos pequenos negócios das cidades brasileiras. Além disso, têm uma população bastante heterogênea, como é típico na nova classe média. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) não dispõe de uma pesquisa estatística dos empreendimentos por bairro, mas levantou as localidades com maior concentração de micro e pequenas empresas e chegou a um roteiro para o programa Negócio a Negócio, de auxílio aos negócios de bairro.

O foco do programa do Sebrae está nas seguintes localidades, classificadas como bairros empreendedores: Brotas, Cabula, Cajazeiras, Itapuã, Itapagipe, Liberdade, Pau Miúdo, Pau da Lima, Paripe e Pernambués. A ação consiste em bater na porta do pequeno empresário e fazer um diagnóstico do seu negócio. Tanto a avaliação como as soluções também são entregues no local, gratuitamente, para facilitar a vida dos empreendedores. Depois, outras visitas são feitas para verificar se as orientações estão sendo bem aplicadas.

Resultados – Jônatas recebeu uma visita do agente de orientação empresarial do programa e garante que já começou a ver resultados. Todas as orientações foram adequadas ao tipo de negócio. “Tudo era dúvida, então ele veio e fez um levantamento com perguntas e respostas”, relata. O diagnóstico foi que o empresário não tinha conhecimento sobre gestão.

Depois de alguns cursos e de uma “bula” fornecida pelo Sebrae, o comerciante melhorou o atendimento aos clientes e o que considerava seu principal problema. “Fui muito bem orientado sobre estoque, porque às vezes temos um estoque grande de materiais que não têm muito giro. Agora sei comprar e estocar melhor”, afirma Jônatas. Além disso, os cursos ajudaram a formar uma rede de contatos.

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