Cobrança por vaga em shopping preocupa lojistas

Presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Motta afirmou, ontem, que dirigentes dos centros de compra precisam interagir mais com os comerciantes, para não prejudicá-los.

“O lojista está preocupado. Está faltando maior interatividade entre locador e locatário, para buscar o melhor para ambos, pensar em benefício também para o lojista, como a diminuição do custo de locação”, defende Motta.

O coordenador estadual da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Edson Piaggio, tranquiliza a categoria. Segundo ele, o assunto está sendo debatido por dirigentes dos estabelecimentos e comerciantes, e em todos haverá vagas gratuitas para eles.

“Cada shopping tem sua especificidade e cada um está discutindo a questão. Mas não poderá haver vagas para todos que trabalham nos centros comerciais”, pontuou.

Entretanto, a quantidade que será disponibilizada para cada lojista segue indefinida. Jomar Nunes é um dos que criticam a medida. Ele enviou carta ao A TARDE para externar sua indignação.

“Quando as lojas foram vendidas para nós, lojistas, havia uma quantidade preestabelecida de vagas gratuitas. Isso é mais uma cobrança abusiva e absurda que os donos de shoppings estão querendo fazer para embolsar ainda mais uma fortuna de dinheiro”, diz ele, que possui lojas em seis estabelecimentos.

Já o comerciante Demétrius Moscozo, 40, que atua no Itaigara, diz que, por serem donos (e não locatários, como em outros locais), os lojistas do shopping terão vagas disponíveis.

Associações

Representantes de entidades de classe se mostram seguros de que haverá entendimento em relação à gratuidade para comerciantes. Humberto Paiva, presidente da Associação de Lojistas do Salvador Shopping, afirma que já solicitou duas vagas gratuitas para cada comerciante.

“As empresas, normalmente, têm sócios. Por isso, pedimos dois cartões de estacionamento. Tenho lojas em shoppings de outros estados do Grupo JCPM (proprietário do Salvador Shopping) e eles costumam

disponibilizar pelo menos uma vaga para lojistas”, afirma.

Quanto à medida, Paiva diz que a cobrança é necessária, pois vai acabar com o “uso indevido” das vagas. “O Salvador tem quase seis mil vagas. Às 9h30, o estacionamento já está lotado por pessoas que trabalham em prédios da região e não querem pagar pelo serviço”, pontua.

Presidente da associação de lojistas do Itaigara, Selma Chagas diz que o shopping é o principal prejudicado pelo uso abusivo. “Funcionários de escritórios do bairro deixam o carro aqui para não pagar o estacionamento no prédio. Estamos batalhando para que a cobrança seja feita”, revela.

Segundo Edson Piaggio, nos locais onde a cobrança começou a ser feita em outros estados, o volume de veículos nos shoppings reduziu entre 10% e 15%. “Os funcionários começam a utilizar o transporte solidário”, afirma.

A preocupação, segundo Motta, é quanto à circulação de pessoas pelos shoppings. “Agora, com maior custo, elas vão querer sair mais rápido. O setor de serviços pode sofrer com isso”, frisa.

Fonte: A Tarde

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