Comerciantes da Avenida Sete pagam para evitar os assaltantes durante a noite

“Se não pagar, com certeza seremos assaltados. Infelizmente, chegamos numa época em que a segurança é essencial. E se o Estado não fornece, temos que arcar com isso”, disse Eliete Alves da Silva, gerente da MD Moda Íntima. A loja fica ao lado da Chillibeans Outlet, de óculos, que foi arrombada por quatro homens durante a madrugada dessa terça-feira (12/3). Segundo informações do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM/Centro Histórico), os bandidos conseguiram levar dinheiro, além de relógios e óculos.

Segundo testemunhas, os quatro homens chegaram ao local por volta das 1h30, destruíram a porta para entrar e quebraram as vitrines onde ficam os produtos da loja. Em seguida, o bando fugiu em um carro roubado, que foi deixado na região da Mouraria.

Nessa terça-feira (12/3) pela manhã, a loja estava funcionando normalmente e os funcionários, ainda assustados, disseram que não estavam autorizados a falar sobre o assalto. Eles apenas afirmaram que ocorreu o roubo. Alguns comerciantes atestaram que, para trabalhar em paz, precisam pagar segurança de rua.

A gerente Eliete disse que a loja no qual trabalha tem sete anos no local e que o dono implantou todas as medidas de segurança possíveis, na parte interna. “Temos câmera de filmagem, sistema de alarme conectado diretamente com o celular do dono, além de um vigia que fica na porta da loja durante todo o funcionamento. À noite, contamos ainda com um segurança noturno”, revelou.

Alguns comerciantes, temendo se identificar, disseram que os seguranças da noite são coordenados por um agente da Polícia Militar. Os comerciantes ficaram surpresos com o assalto e alguns disseram que a loja de óculos era nova no local e deveria não está pagando a segurança de rua como todos pagam. Uma dona de uma loja de bolsas disse que contribui com o pagamento da segurança e ressaltou que paga em torno de R$ 100 chegando até R$ 300, a depender do tamanho do estabelecimento.

“Quem não paga é isso que pode acontecer. Eu nem sabia desse assalto. E achei estranho, devido o segurança daqui ficar a noite toda em ronda. Sei que várias lojas da Avenida Sete vêm sofrendo com os assaltos, mas procuro pagar certinho para manter o meu comércio e proporcionar maior segurança aos clientes”, declarou.

A mulher ainda disse que é consciente que o Estado tem o direito de manter a segurança dos cidadãos, uma vez que “nós pagamos por isso. Mas, na prática, não é bem assim que as coisas funcionam”, ressaltou a proprietária que pediu anonimato.

Ela disse que paga R$ 200 para a segurança noturna e que nunca sofreu assalto e nem arrombamento. Durante a manhã dessa terça-feira (12/3), nossa equipe de reportagem percorreu toda a Avenida Sete e apenas um policial fardado, estava no final da rua, em frente a uma loja. Ele falava ao celular distraído e parecia não está fazendo ronda.

 

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