Comerciárias comemoram o Dia Internacional da Mulher

“As mulheres comerciárias estão ocupando todos os espaços mas com algumas limitações, como salários menores e sem atuar em cargos de chefia, ou quando atuam recebem menos que os homens. Já as mulheres negras sofrem mais ainda com as discriminações, porque normalmente são colocadas para trabalhar no fundo das lojas. A transformação da sociedade vem com a informação, e é este nosso objetivo. Por isso levamos este evento para praças, estações, guetos e empresas a fim de transformar e, quem sabe, no futuro só ter comemorar neste dia.”, pontuou Cherry Almeida, coordenadora da Secretaria de Gênero.

Durante todo o dia 7/3 a Praça Newton Rique, em frente ao Iguatemi, recebeu milhares de pessoas, especialmente mulheres, interessadas em receber orientações e informações sobre temas como: violência contra a mulher; Lei Maria da Penha e onde buscar ajuda. Durante todo o dia foram realizados palestrars e debates, por  autoridades políticas e representantes de organizações como: Deam; Ministério Público da Bahia; Defensoria Pública e Secretaria de Promoção da Igualdada Racial (Sepromi); deputada federal Alice Portugal; deputada estadual Luiza Maia e a vereadora Fabíola Mansur, que destacou o trabalho realizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Municipal. “Já estivemos com o prefeito e com toda a rede de mulheres que fazem o enfrentameno à violência contra a mulher para solicitar o fortalecimento do Centro de Referência Loreta Valadares, a ampliação do atendimento; criação de ouvidoria especial de políticas para as mulheres e uma simbiose entre os órgãos da Superintendência de Políticas para as Mulheres municipal e estadual. A luta da mulher é uma luta árdua e contínua. Precisamos de uma grande rede de solidariedade formada por mulheres para que o avanço social seja maior.”, falou a vereadora.

Números

Só nos primeiros 50 dias deste ano foram registradas 1.702 ocorrências de casos de violência contra a mulher nas duas unidades da Deam em Salvador, uma média de 21 casos por dia. O dado equivale a 16,4% do total de 10.352 casos computados nas delegacias especializadas em todo o ano de 2012, que já havia crescido 2,8% quando comparado às 10.064 denúncias de violência doméstica contabilizadas em 2011. Entre as principais queixas estão: ameaças, lesões corporais e agressões morais, e segundo a delegada da Deam Periperi, Olveranda Oliveira, com a mudança da Lei Maria da Penha qualquer pessoa pode denunciar o crime e colaborar com a redução dos números. “A partir do momento que a Lei determina que qualquer pessoa pode registrar a informação através dos nossos canais ou buscando alguma das unidades, a probabilidade de coibir a violência é grande porque vamos apurar a situação e coibir não só aquela como prevenir outras”.

Mulher Comerciária

No caso das comerciárias, a violência ultrapassa o ambiente doméstico e familiar. Para elas, o trabalho é o local onde ocorre todo tipo de discriminação, humilhação e ofensas, como destacou a diretora do Sindicato Josélia Santos. “A mulher comerciária sofre vários preconceitos e discriminações, inclusive porque a maioria é negra e já de cara sofre com a discriminação racial, principalmente quando consegue atingir situação de liderança. No que diz respeito a comerciária negra e homossexual a situação é ainda mais delicada.”, concluiu.

Parceiros

A atividade contou ainda com uma feira de artesanato do Instituto Mauá, stands do Naspec, OAB e Sesc, que ofereceu serviço de orientação odontológica. E para fechar o dia com chave de ouro, a banda de percussão formada por mulheres com deficiência auditiva da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos (APADA) animou o Grupo de Dança da Terceira Idade.

Outras atividades

Além da 3ª Feira de Cidadania, a Secretaria de Gênero promoveu um delicioso café da manhã para as comerciárias na sede da categoria, e no fim do dia participou da Marcha das Mulheres, evento realizado pela CTB, que percorreu as ruas do centro de Salvador para reivindicar igualdade de oportunidades.

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