Comércio desordenado invade calçadas

Estes, por sua vez, disputam espaço nas pistas, por conta do trânsito caótico, geralmente, encontrado nestes locais. Segundo a Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), a fiscalização é feita de segunda a sexta, das 07h às 22h30, sendo que, em certos pontos da cidade, há fiscais que fazem trabalho preventivo diariamente.

A falta de espaço nas calçadas incomoda quem passa diariamente no local. De acordo com dados da Sesp, em Salvador há cerca de 12 mil ambulantes licenciados, porém em épocas de apelos comerciais, como Carnaval ou datas especiais, os ambulantes não licenciados, inclusive vindos de outras cidades, tomam espaço nos bairros.

Na rua que liga a Praça da Piedade à Estação da Lapa, o comércio informal impera. DVDs e CDs piratas, jogos eletrônicos, perfumes, bolsas e cintos espalhados pelo chão causam transtornos a quem precisa trafegar pelo local. “Aqui é um inferno. Não temos lugar para passar e muitas vezes somos até destratados pelos ‘camelôs’. Alguém deveria tomar uma providência sobre isso”, reclamou a auxiliar de limpeza Ednara Machado, 37 anos.

Na rua principal da Liberdade, bairro de maior concentração populacional, a situação é semelhante. Pedestres, vendedores de lojas e ambulantes disputam cada centímetro das calçadas. Barracas de frutas e roupas são os maiores atrativos do local, que ainda conta com a famosa Feira do Japão. “Trabalho aqui há 20 anos. Todo dia tem fiscalização e, a partir de certo horário, todos têm que ficar apenas nas calçadas, sem ultrapassar para a pista. Dia de segunda, os fiscais vêm até o meio-dia, nos demais dias da semana, de 06 horas até às 17 horas”, contou a vendedora de frutas, Eliane Pereira, 27.

Pouco mais de cem metros do local, o ambulante Denílson Reis, 29, afirmou que faz tempo que a fiscalização não aparece na Liberdade. “Nunca mais vieram aqui”, garante o vendedor, ressaltando que a maioria dos pedestres reclama apenas dos ambulantes mais ‘espaçosos’. “Muitas pessoas reclamam dos que tomam muito espaço dos passeios, mas quem fica ‘recuado’ não oferece problemas”, diz o comerciante.

De acordo com Paulo Viana, coordenador de licenciamento e fiscalização da Sesp, o órgão tem dois tipos de serviços no combate ao desordenamento do comércio informal. “Atuamos no trabalho preventivo, que consiste em evitar que ambulantes tomem conta de locais inadequados. Além do trabalho feito através de denúncias: quando um cidadão incomodado com a presença de algum ambulante denuncia e uma equipe nossa é enviada ao local”, explica.

Apesar da fiscalização, na parte baixa da cidade, o cenário é o mesmo. Na rua Padre Antônio de Sá, Calçada, a situação é mais crítica, já que há barracas em ambos os lados da mesma calçada. “Resta um espaço micro para a gente andar. Quando passo aqui com sacolas ou com meu filho pequeno é um terror. Sei que eles precisam trabalhar, mas não podem ser os ‘donos da rua”, desabafou a recepcionista Claudia Trindade, 29.

Mesmo com as dificuldades de locomoção, há quem defenda a presença do mercado informal. O motorista Antônio Valente defendeu a atuação dos camelôs, porém ressaltou a importância de maior organização. “É melhor ter um pai de família trabalhando do que um bandido nas ruas. Porém, acredito que deveria haver mais organização nas ruas. Eles precisam trabalhar e a gente precisa de espaço para andar”, resumiu.

Sobre os bairros citados, Paulo Viana afirma que a fiscalização ocorre, porém, devido ao tamanho da cidade e quantidade de bairros, não há como estar em todos os locais. “A maioria destes comerciantes da Liberdade e Calçada são licenciados, porém sempre estamos indo no local para verificar quem comete excessos ou aumentam inadequadamente o “equipamento” de trabalho. Quando flagramos estes casos, notificamos e orientamos o ambulante sobre a maneira correta”, explica, ressaltando que a Sesp atua sempre no trabalho orientativo do que repressivo.

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