Comércio é afetado pela greve dos rodoviários

Em uma loja na Baixa dos Sapateiros, por exemplo, apenas quatro dos nove funcionários compareceram ontem. O local em nada se parecia com o movimentado centro de compras de rua de Salvador. Com a restrição do tráfego apenas para veículos pequenos, devido ao desabamento de um imóvel antigo na área, a região ficou ainda mais deserta.

“Pra gente que trabalha com comissão, isso é péssimo. O movimento caiu cerca de 90%, pois o nosso público é a classe baixa, ou seja, pessoas que andam de ônibus. Já estava ruim com a interdição, mas as pessoas ainda desciam no Aquidabã e vinham andando. Agora, com a greve, não se vê um só cliente”, disse a vendedora Flávia Salustiano.

O cenário não era nada diferente nas avenidas Sete de Setembro, Mercês, Carlos Gomes e Joana Angélica, principais comércios de rua da capital. Até parecia feriado ou dia de folga coletiva, mas era só o caos estabelecido pela falta de ônibus em Salvador.

Alguns lojistas montaram um esquema especial de transporte particular para pegar os funcionários em casa. Entretanto, o serviço, apesar de oneroso, não garantiu nenhum resultado, pois os clientes não compareceram.

“É um prejuízo atrás do outro. Não tem vendas, o gasto com transporte de funcionário é alto, pois temos que pagar táxi, alugar vans e não tem retorno. Mesmo assim, não podemos dizer que não vamos funcionar porque temos contas a pagar. Quem vive do comércio sabe que qualquer venda é importante”, disse Valdomiro Azevedo, proprietário de uma loja no Centro da cidade.

Segundo ele, o esquema de pegar os trabalhadores em casa contempla apenas os que moram em bairros próximos. Já os domiciliados em áreas mais afastadas foram dispensados e não terão o dia de trabalho cortado por isso.

O movimento também foi fraco nos principais shoppings centers da cidade. Nas primeiras horas de funcionamento, os centros comerciais registraram baixa visitação. As lojas, corredores, praças de alimentação e até cinema estavam praticamente vazios.

“Se a greve persistir até a próxima segunda-feira, como estima a categoria, nós vamos amargar o maior prejuízo da história. Hoje (ontem), por exemplo, só fiz uma venda, assim mesmo para uma pessoa que trabalha aqui no shopping mesmo. Só quem sai de casa é quem tem carro ou mora perto e mesmo assim pensam duas vezes”, disse Michele Alves, caixa de uma loja de calçados no shopping.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas da Bahia (CDL), Geraldo Cordeiro, estima que em um único dia o setor teve o volume de negócios reduzido pela metade. Segundo ele, ainda não é possível calcular o valor do prejuízo em reais, mas ele antecipa que as consequências da greve podem ser as piores.

“Uma queda de 10% nas vendas já causa um prejuízo absurdo. 50%, então, é insustentável. Nenhuma empresa suporta isso. esperamos que a paralisação não se prolongue para não afetar ainda mais a economia”, disse, ressaltando que a partir de hoje será possível avaliar o montante da perda.

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