Comércio se divide em relação ao Carnaval do ano que vem

Dessa forma, com a possibilidade de ampliação do período carnavalesco, os lojistas já temem pelo pior. De acordo com o presidente do Sindicato de Lojistas do Estado da Bahia (Sindilojas/BA), Paulo Motta, a extensão da festa só trará malefícios para os varejistas. “Nós estamos com a economia paralisada, e já teremos que enfrentar um ano difícil, com mais feriados em dias úteis”, explicou ele, argumentando que várias áreas do setor comercial não podem atuar no corredor da folia.

A festa de Momo na capital baiana ocorre tradicionalmente na Avenida Sete de Setembro, que passa pelos bairros do Campo Grande e Centro (Circuito Osmar) e na Avenida Oceânica, cortando os bairros da Barra e Ondina (Circuito Dodô). Na região central da cidade, praticamente todo o comércio fica fechado por cinco dias seguidos. Já no circuito da orla, a quantidade de estabelecimentos comerciais é menor, mas, ainda assim, os proprietários também precisam se organizar pensando em uma renda menor para o mês.

Segundo Motta, o mês de fevereiro já é naturalmente fraco. E com o carnaval, lucra-se, em média, 15 a 20% a menos do que em outros períodos do ano. E não é apenas o setor mercantil dos circuitos que fica comprometido, afinal, muitos soteropolitanos viajam, e assim, o fluxo de pessoas circulando pela cidade, cai consideravelmente. “O Sindilojas entende que é necessário ter mais dias úteis para a sobrevivência do comércio lojista. Retirar dias úteis, com mais dias de carnaval, só trará mais dificuldades”, explica, acrescentando que, para o varejo, as semanas que antecedem e precedem os dias de folia já costumam ser problemáticas para as vendas.

Mobilização

A entidade agora pretende mobilizar os empresários e dialogar com a Prefeitura de Salvador, para mostrar que o aumento da folia pode prejudicar ainda mais o setor econômico que já terá preocupações para o ano atual. “Iremos dialogar com o prefeito, e mostrar o quanto essa expansão da festa pode prejudicar o comércio varejista”, anuncia. Motta ressalta que os feriados de 2015 vão cobrar mais criatividade dos empresários e que o menor número de dias úteis, pode comprometer o preço final dos produtos, já que, embora aberto por menos dias, os gastos mensais de praxe (funcionários, fornecedores, estrutura física, etc.) são os mesmos.

Enquanto  isso, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador, preferiu não se pronunciar neste momento. “Precisamos conhecer melhor a proposta para nos posicionar. A princípio, no Carnaval, o movimento nas lojas, de uma forma geral, não é tão bom quanto em dias normais. Mas tem também seu aspecto positivo, com o aquecimento nas vendas do segmento informal e com a presença numerosa de turistas na cidade, mesmo antes da festa”, relatou o presidente da entidade, Frutos Dias Neto.

Para CDL e Fecomércio, é possível achar uma solução

Preocupada com a situação de isolamento vivida pelos comerciantes varejistas, mas também exaltando a importância da ampliação da festa popular para o setor de serviços da capital, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio/BA) pretende avaliar a situação com mais calma, já que a proposta acabou por ser colocada em pauta.

“Nós precisamos pensar no conjunto. É preciso ressaltar que, o setor de serviços só tem a ganhar com uma festa maior, mas também não iremos abandonar nossos colegas que não podem ter as mesmas vantagens”, comentou o presidente da entidade, Carlos de Souza Andrade.

Por isso, a federação pretende iniciar uma série de diálogos com as outras entidades representantes do comércio varejista, e realizar estudos que possam viabilizar soluções para o setor na época da festa. “Levaremos o resultado desses estudos à prefeitura, e acreditamos que podemos achar uma solução, pois o prefeito tem sido muito compreensivo e flexível com o setor”, destacou Andrade, afirmando que os trabalhos da entidade que solucionem setores do comércio durante o carnaval de 2016 devem ter início nos próximos dois meses.

13 DIAS DE FOLIA

Em coletiva realizada na Quarta-Feira de Cinzas, a Prefeitura de Salvador fez um balanço da edição recente do carnaval, e também divulgou a proposta de ampliar o ciclo de festa. O plano é realizar o “Habeas Corpus” no dia 29 de janeiro (sexta-feira), o Furdunço seria no dia 31 (domingo), os dias 1 e 2 de fevereiro (segunda e terça-feira, respectivamente) se realizariam às celebrações à Iemanjá, e logo em seguida a abertura do Circuito Sérgio Bezerra no dia 3 (quarta-feira). Após os seis dias de folia, o plano é realizar novamente o Furdunço no dia 13, num sábado como o de hoje, o primeiro pós-carnaval.

Fonte: Tribuna da Bahia

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