Confira a lista de instituições baianas que aceitam o Enem

Fonte: Correio

Há quem durma apenas quatro horas por dia, acorde sempre às 6h e ainda enfrente um ônibus lotado com muito bom humor. Entre um sorriso, um bocejo e um gole de café preto, Gabriela Jabar Bastos, 18 anos, encara a dura rotina com a alegria de quem realiza um velho sonho – cursar uma faculdade.

Gabriela está cursando o primeiro semestre de Engenharia de Produção na Faculdade Área 1 com bolsa do Programa Universidade Para Todos, o Prouni, do governo federal. Ela ingressou na instituição após fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano passado.

As inscrições para o Enem deste ano foram abertas ontem e vão até 10 de junho. Só é possível se inscrever através do site enem.inep.gov.br. Para estudantes de escolas públicas, ela é gratuita. Os demais precisam pagar R$ 35. (veja na página ao lado).

Na Bahia, 24 instituições aceitam o exame. Entre elas, a Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifba). A Universidade Federal da Bahia (Ufba) não usará o Enem como método de seleção.

Sonho

“Na minha família, ninguém tem diploma. E por isso meus pais estão muito orgulhosos. Estou realizando um sonho meu e deles”, explica Gabriela.

A jovem atribui a realização do sonho à oportunidade aberta pelo Enem. “É muito difícil um aluno de escola pública passar na Ufba e na Uneb. Eu tentei, mas não consegui”, avaliou. A universitária cursou o ensino médio no Colégio Estadual Senhor do Bonfim, nos Barris.

Após tentar ingressar na Ufba, em 2009, ela se submeteu ao exame em 2010 e escolheu curso e faculdade. Gabriela optou pela profissão unindo o gosto pelas ciências exatas com a demanda do mercado de trabalho. “No cursinho que fiz, os orientadores falaram que falta engenheiro de produção e eu gosto da parte gerencial da profissão”, explicou.

Estudante do primeiro semestre, Gabriela ainda não está estagiando na área, mas enfrenta as dificuldades do presente com os olhos fixos no futuro. Segundo ela, um engenheiro de produção tem salário de cerca de R$ 5 mil.

Suor

Realizar o sonho não é tarefa fácil para Gabriela. Ao sair de casa, no Engenho Velho de Brotas, onde mora com a mãe e a irmã, ela vai até um ponto de ônibus no Dique do Tororó. A viagem rumo à faculdade, localizada na avenida Paralela, dura em torno de 40 minutos.

O sacrifício é recompensado com a alegria do começo das aulas, às 8h. E olha que a pressão é grande! Caso ela seja reprovada em qualquer matéria, perde automaticamente a bolsa de R$ 382 do Prouni. O valor corresponde à metade da mensalidade da Área 1, de R$ 764.

Os pais de Gabriela ganham menos de três salários mínimos por mês e não têm condições de arcar com os custos da faculdade. Caso a bolsa seja suspensa, ela teria que desistir do ensino superior. “A provação é dolorosa. Mas enfrento qualquer dificuldade que vier”, desafiou.

A universitária banca sozinha os R$ 382 da mensalidade da faculdade trabalhando das 15h às 21h como vendedora de uma empresa de telefonia móvel na Lapa. “Chego em casa às 22h e estudo até 1h30 da manhã”, conta.

Guardados os livros e cadernos, ela entra debaixo dos lençóis à espera do novo amanhecer para continuar vivendo o velho sonho.

Compartilhe:

Deixe seu recado