Consumo de ricos em Salvador equivale ao de 19 pobres

A cerca de 15 quilômetros dali, numa concessionária do Caminho das Árvores, o médico Mozart Cardoso analisa atentamente um veículo importado: quer dar mais conforto e segurança para a família. Sua renda mensal o enquadra na classe A, que na Bahia é formada por apenas 1,5% dos domicílios.

Os dados, que fazem parte de uma pesquisa do Ibope Inteligência obtida com exclusividade por A TARDE, descortinam um cenário extremo de desigualdade da Bahia. E revelam que o consumo de uma família rica baiana é equivalente ao de 19 famílias pobres. São 55 mil famílias no topo da pirâmide que consomem quase que exatamente o mesmo que as cerca de um milhão de casas que estão na base. Cada lado deve consumir cerca de 12% dos R$ 62,4 bilhões gastos em produtos e serviços estimados para as famílias baianas este ano.

Classe C – Além de mostrar as disparidades, o mapa do consumo na Bahia aponta as classes B e C como as responsáveis por cerca de 75% de tudo que é consumido no estado. De acordo com a diretora do Ibope Inteligência, Márcia Sola, a classe C foi a que mais cresceu nos últimos anos, catapultando seu nível de consumo. Por outro lado, a classe D vive um movimento de diminuição, enquanto a classe E caminha para extinção. “Na Bahia, assim como em outros estados do Nordeste, a migração entre as classes tem sido mais lenta. Mas o consumo aumentou significativamente”.

Este ano, o crescimento do consumo na Bahia deverá ser da ordem de 21% em relação ao registrado no ano passado. Para Márcia Solla, o alto crescimento percentual é explicado pelo baixo consumo anterior: “Em estados com um mercado já consolidado, o avanço é menor”.

Caso a estimativa se confirme, o consumo da Bahia será de 4,7% do total do País. O percentual, contudo, ainda é inferior quando comparado à população: 7,3% dos brasileiros vivem na Bahia.

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