Deams completam 27 anos de criação

Também mudou o método de punição (antes penas alternativas como doação de cesta básica e trabalho social), o tempo de detenção ficou previsto entre um e três anos e foram criadas medidas protetivas e preventivas, que vão da saída do agressor do domicílio a proibição de aproximação da mulher agredida.

Parceria com as comerciárias
De acordo com Cherry Almeida, secretária de gênero, a parceria com o Sindicato tem gerado bons frutos mas ainda há muito a ser feito.”Nestes 27 anos de Deam temos muito a comemorar, mas não podemos esquecer que há muito ainda por fazer. É importante que os órgãos competentes criem novas unidades de varas de proteção à família e novas Deams, pricipalmente em Salvador. De forma que as mulheres se sintam mais seguras e a vontade para denunciar seus agressores.”, pontuou.

Números da violência contra a mulher

Segundo dados da Deam de Brotas, em Salvador por mês são realizadas cerca de 600 ocorrêcias. Na unidade, entre 2008 e 2012 o número de prisões em flagrante triplicou, passou de 87 para 311. Na Bahia, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), de janeiro a julho de 2013 foram registrados 11.312 casos de lesão corporal, 22.166 de ameaças e 173 mortes violentas. Na maioria das vezes as agressões e ameaças ocorrem por maridos, companheiros e namorados, e os motivos são vários: sentimento de posse; ciúmes; recusa em aceitar o fim do relacionamento; questões financeiras; etc. Ao todo são 13 unidades na Bahia, duas na capital (Brotas e Periperi), duas na RMS e as demais no interior. Nos locais as vítimas e seus filhos encontram acolhimento, amparo social e psicológico.

Segundo a delegada Ana Virgínia (Brotas) os números aumentaram devido a mudanças na Lei. “A mudança na Lei possibilitou uma atuação mais firme e enérgica da autoridade policial e deu segurança às vítimas para denunciarem”. Ela orienta às mulheres a ficarem atentas. “Antes de ocorrer a agressão física a mulher é vítima de violência psicológica, ameaças e ofensas, e ela deve estar atenta a estes sinais e tomar cuidados antes que a violência física aconteça.”, pontuou a delegada Ana. Para a delegada Vânia Seixas (Periperi), mudanças de valores e uma maior tolerência nas relações poderiam mudar positivamente o cenário. “Os altos números são decorrentes também da falta de valores, de respeito, de estrutura familiar e tolerância. É preciso rever os conceitos para que não haja violência.”, completou.

Vítimas em atendimento

Durante nossa visita à Deam de Periperi encontramos 3 vítimas de violências físicas que aguardavam atendimento. Uma delas, a cabeleireira Sineide Santos, de 29 anos, que teve parte dos cabelos arrancada após vários arrombamentos de sua própria casa pelo agressor, falou da relação conturbada que teve com o ex, com quem foi casada por 4 anos. “Ele me ameaçava e dizia que se algum dia me pegasse com outro homem continuaria me perseguindo e não me deixaria em paz. O pior de tudo é que a família dele não acredita em mim.”, concluiu.

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