Desemprego bate 9%, segundo IBGE, e Dilma diz que esta é a maior preocupação do governo

Em café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (15), a presidenta Dilma Rousseff afirmou que o assunto é o que mais preocupa o governo. “O desemprego é a nossa grande preocupação”, disse na entrevista coletiva (a segunda concedida este ano). “Todo esforço do governo é para impedir que no Brasil nós tenhamos um nível de desemprego elevado. É o que nós olhamos todos os dias. É aquilo que mais me preocupa e aquilo que requer mais atenção do governo”.

A alta do desemprego entre 2014 e 2015, no entanto, refletiu mais a queda no número de contratações que a quantidade de demissões, diz o estudo “Análise da Dinâmica de Emprego Setorial”, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e baseado nos dados do IBGE.

“É possível notar que o aumento do desemprego não vem de um aumento nos desligamentos, mas sim de uma diminuição nas contratações”, diz a nota assinada pelos técnicos de planejamento e pesquisa do Ipea, Brunu Amorim e Carlos Henrique Corseuil. Um dos indícios disso é o fato de a renda média real dos trabalhadores ter se mantido estável no período.

Medidas urgentes

Dilma Rousseff disse ainda que, para a retomada do emprego, algumas medidas são urgentes. Entre elas, o reequilíbrio fiscal para o Brasil voltar a crescer. Ela defendeu que o Congresso aprove a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU) e os juros sobre capital próprio e ganhos de capital.

“Essas três para nós são essenciais para a gente perseguir o superávit primário e buscar o reequilíbrio fiscal. Precisamos reverter a situação que leva à queda da atividade econômica, garantindo equilíbrio fiscal e volta do crescimento”, disse Dilma.

“Compromisso pelo desenvolvimento”

As principais centrais sindicais e as entidades empresariais formularam no final do ano passado um documento propositivo para a retomada do crescimento econômico com recuperação dos empregos, valorização do trabalho e retorno do investimento no país. Desse profícuo diálogo com o governo surgiue foi promulgada a Lei de Leniência, que pretende destravar os setores industriais que paralisaram seus investimentos devido a irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato.

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, os dados apresentados pelo IBGE confirmam um quadro que vem se agravando e exige decisões consequentes e firmes para ser revertido. “O PAC da construção e a lei da repatriação dos bens são boas medidas, mas há sinais de que na semana que vem o governo vá aumentar novamente a taxa de juros. É uma contradição. Já se sabe que isto não controlou a inflação e apenas aumentou o desemprego”.

Para ele, é um sinal de que uma reorientação macroeconômica se faz necessária. “Não existe varinha de condião para resolver o problema do emprego. Tem de aquecer a economia, aumentar a produção industrial e colocar em prática uma agenda voltada ao desenvolvimento”, resume Araújo.

No mês que vem, no dia 17, acontece em Brasília uma nova reunião do Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social. A expectativa dos integrantes do ‘Compromisso pelo Desenvolvimento’ é que o governo leve resposta aos sete pontos do documento e indique diretrizes ou apresente medidas que queira propor. “Esperamos, por exemplo, proposta efetiva sobre financiamento e crédito”, afirmou Clemente Ganz, diretor do Dieese em entrevista à Agência Sindical.

Fonte: Portal CTB com agências

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