Dilma frustra expectativas dos trabalhadores com medidas contra crise

A CTB participou na manhã desta segunda-feira (29), junto com as demais centrais sindicais (CGTB, CUT, Força, NCST e UGT), de uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff, para discutir os rumos econômicos do país e as medidas de enfrentamento da crise econômica internacional. O resultado do encontro frustrou sindicalistas e trabalhadores que esperavam do governo Dilma medidas que valorizassem o mercado interno e, por conseqüência, a classe trabalhadora.

A insatisfação se deve ao fato da própria presidenta ter declarado que está previsto um corte de gastos públicos que possibilite aumento do superávit primário. De acordo com a presidenta, a crise mundial pode se agravar e que, por isso, há necessidade de aumentar o superávit primário [economia para pagar juros da dívida pública].

Para os representantes das centrais, que saíram totalmente descontentes da reunião, a medida só dará resultado se vier acompanhada da redução da taxa de juros.

Wagner Gomes, presidente da CTB afirmou que a declaração decepcionou o movimento sindical. “Isso para nós é uma ducha de água fria que vai levar o Brasil a perder indústrias e ser um exportador de matéria-prima”, disse o presidente CTB.

Opinião compartilhada por Adilson Araújo, presidente da CTB-BA, que também participou da reunião. “Embora as medidas anunciadas pelo governo tenham sido um ‘balde de água fria’, não podemos deixar de reconhecer que a presidenta reconheceu a importância do diálogo com os trabalhadores”.

Mas Adilson Araújo faltou dialogar a política industrial, a questão da desoneração, reajuste das aposentadorias e muitos outros questionamentos relativos à pauta dos trabalhadores. “As centrais que apostavam no diálogo questionaram isso”, afirmou.

Na opinião dos dirigentes cetebistas o remédio apresentado é amargo. “Agora propositalmente o governo anuncia que o estado arrecadou mais, vão aumentar o superavit primário? Com essa atitude demonstra que pretende atrair a confiança dos credores, ao invés de se voltar pro social e implantar medidas como as de 2008, para conter os impactos da crise. Precisamos de iniciativas que estimulem o mercado interno e a produção nacional”, afirmou o presidente da CTB e completa: “O governo admite que neste momento é difícil aumentar o salários, como por exemplo do funcionalismo. Não concordamos com essa posição”

“Demos um voto de confiança e o governo toma uma rota não muito agradável. Com essa estratégia, que o presidência chamou de apoio à economia, as empresas aumentam os lucros, enquanto os trabalhadores são podados ter uma qualidade melhor de vida. O país precisa de uma agenda positiva com valorização do trabalho, redução da jornada, investimentos na agricultura familiar, efetivação da reforma agrária, enfim, de uma política que valorize o trabalho”, declarou o dirigente.

Na próxima quarta-feira (31), as centrais participarão do ato promovido pela União Nacional de Estudantes (UNE), na porta do Banco Central, em Brasília. “Vamos somar as lutas, mais uma vez, dos movimentos sociais e sindical visando a implantação de um projeto nacional com desenvolvimento com valorização do trabalho, que é do que o Brasil precisa”, concluiu o presidente estadual da CTB.

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