Economia brasileira ultrapassa a da Grã-Bretanha e é a 6ª do mundo

Não foi nenhuma surpresa, porém, o reposicionamento do Brasil na frente da Grã-Bretanha. Os analistas britânicos afirmam que, desde os anos 1990, com a implantação do Plano Real e o controle da inflação, isso já era previsto.

A alavancada final veio nos últimos 12 meses, com as exportações para a China e outros países do Oriente. O que asfaltou, mesmo, no entanto, o caminho do Brasil rumo ao seleto grupo de economias de destaque, segundo os analistas, foi a desgraça alheia, ou seja, a crise mundial que atingiu em cheio economias antes consideradas inabaláveis.

Desde 2008, os britânicos sabem que estão fadados a uma descida para posições abaixo de nações emergentes. Com os consumidores cada vez mais empobrecidos, a indústria britânica encolheu. Serviços, outro esteio da economia deste país, se tornaram dispensáveis, e muitos dos bancos sediados nas ilhas faliram. O dinheiro ficou escasso.

Ainda assim, a Grã-Bretanha conseguiu crescer, só que com menos vigor do que antes. O PIB britânico ficou US$ 37 bilhões abaixo do PIB brasileiro.

A Grã-Bretanha, porém, ainda é um dos países mais ricos do planeta. Em proporção, é muito mais rico que o Brasil. O PIB per capita britânico chega a US$ 40 mil. No Brasil, mal passa de US$ 12 mil.

Outra comparação que os economistas europeus fazem é com o salário mínimo, que, no país, é equivalente a R$ 2.650 por mês, mais de quatro vezes maior que o do Brasil. Os níveis de violência são baixíssimos. Não há favelas, crianças de rua e nem analfabetismo, por exemplo.

O Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios apenas divulgou os números comparativos do PIB que botaram o Brasil na frente da Grã-Bretanha. Nenhum pesquisador quis comentar os gráficos, mas, na imprensa britânica, os analistas são unânimes. Não foi o Brasil que alcançou a Grã-Bretanha, foi a Grã-Bretanha que passou o Brasil. Para baixo, no mau sentido.

Brasil

Exportações diversificadas em produtos, com destaque para minérios e alimentos, e em parceiros, com especial participação da locomotiva chamada China, que desde 2009 desbancou os Estados Unidos como principal destino das exportações brasileiras. É uma vantagem em tempos de crise econômica.

“A grande mudança radical no mundo é que a China entrou no mundo. O Brasil é rico em recursos naturais, nós passamos a vender muito para eles, o preço de commodities disparou e isso foi muito favorável ao país”, afirma o professor de economia da FEA-USP, Simão Silber.

Além desses negócios do outro lado do mundo, é o mercado consumidor interno que tem, segundo os economistas, sustentado este ritmo da economia brasileira. O setor de shopping centers, por exemplo, fecha o ano com aumento de 12% nas vendas.

“O mercado doméstico consegue sustentar o crescimento da economia mesmo numa situação mais adversa externamente”, diz Mauricio Molan, economista-chefe do banco Santander.

O ranking das maiores economias do mundo, segundo a CEBR, ficou assim:

1) Estados Unidos: US$ 15 tri

2) China: US$ 6,9 tri

3) Japão: US$ 5,8 tri

4) Alemanha: US$ 3,6 tri

5) França: US$ 2,8 tri

6) Brasil: US$ 2,5 tri

7) Grã-Bretanha:US$ 2,4 tri

Os analistas lembram, porém, que crescimento econômico não é sinônimo de desenvolvimento, e nisso, ainda há muito o que conquistar. O ministro da fazenda Guido Mantega disse que o Brasil pode demorar de dez a 20 anos para ter um padrão de vida europeu.

“Na última década, nós triplicamos a renda per capita. Se nós conseguirmos triplicar em mais uma década, chegar a US$ 36 mil, aí poderemos dizer que realmente a população brasileira atingiu um patamar muito satisfatório de condição de vida”, afirma Guido Mantega, ministro da Fazenda.

“A distribuição de renda é uma coisa importante, a redução de pobreza também faz parte disso. O Brasil ainda tem muito o que melhorar. A única coisa que se pode dizer é que é mais fácil melhorar a distribuição quando está crescendo”, afirma José Roberto Mendonça de Barros, economista da MB Associados.

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