Comerciários debatem 50 anos do golpe militar

 Uma abordagem histórica, com reflexões e depoimentos, trouxe à tona as tristes experiência vividas por líderes dos movimentos sindical, cultural, estudantil e civil. “Estamos fazendo este debate para refletir e não permitir o retorno e o retrocesso daquele período, que foi um atraso cultural, social, econômico e político no país. Viva a democracia e àqueles que lutaram pelos direitos do nosso povo.”, afirmou Jaelson Dourado, presidente do Sindicato.

Resistência marcou história dos comerciários
Reginaldo Oliveira, sindicalista que liderou o movimento que retirou o Sindicato das mãos dos militares, lembrou as situações vividas nos tempo de chumbo e como se deu a retomada da democracia. “Os trabalhadores foram impedidos de exercer a democracia porque os sindicatos estavam sob intervenção, e a partir dos anos 70 começaram as mobilizações e foram retomadas as lutas. A partir de 81, em plena ditadura militar, os trabalhadores passaram a ocupar espaços nas entidades, e aqui foi um pouco parecido. Surgiu a primeira oposição com interferência direta no processo de democratização. Hoje estamos exercendo a democracia de liberdade lutando por salários, fazendo discussões políticas importantes graças a luta e organização do nosso povo”. “Nos dias atuais ocupamos as ruas e o trabalhador precisa entender que nesse processo de liberdade e democracia é preciso uma participação junto ao Sindicato para conquistar melhores condições.”, destacou Walter Cândido, organizador do evento.

Literatura pouco esclarecedora
Entre os historiadores, a falta de informação na literatura brasileira é um dos grandes problemas, conforme sinalizou o historiador Ricardo Moreno, da Uneb. “Muitas linhas de pesquisa estão sendo desenvolvidas nas últimas décadas, mas a nossa dificuldade está justamente no acesso aos documentos. No caso da Bahia, por exemplo, os documentos estão ocultos ou destruídos. O que nos sobra são as fontes alternativas, principalmente relatos das pessoas que falam das experiências vividas. Essa limitação das fontes oficiais impedem o desenvolvimento de pesquisas históricas”

Tortura nunca mais
A vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Diva Santana, lamentou a falta de acesso aos arquivos.É lamentável que na Bahia não temos conhecimento nem acesso aos arquivos do movimento de repressão que foi a ditadura militar, que aqui se prolongou com o governador Antonio Carlos Magalhães. Uma parte dos arquivos foi queimada em 2003 na Base Aérea de Salvador, a outra parte está conosco para estudos.“, completou.

mesa redonda1

 

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