Escolas terão que combater o bullying

Fonte: Tribuna

Ofensas, apelidos, agressões físicas, segregação, discriminação, comportamentos presentes dentro do ambiente escolar, que podem transformar a vida de muitos alunos em um verdadeiro inferno, o grande vilão das escolas é o bullying. “Orelha de abano. Esse foi meu apelido em todas as escolas que estudei.

Chorei muito, briguei, não queria ir para a aula. Tenho traumas até hoje, não prendo meu cabelo de forma nenhuma”, desabafou Viviane (sobrenome não revelado).

Mascarados em forma de brincadeira, casos como estes acontecem todos os dias, em todas as escolas do mundo e atingem toda a família. De acordo com a psicopedagoga, Simone Côrtes, o bullying começa com apelidos “inofensivos”, mas que podem acarretar sérias consequências ao desenvolvimento psíquico dos alunos, gerando desde queda na auto-estima, até casos mais extremos, como o caso de Realengo.

“É um problema mundial que teve ser acompanhado de perto por pais e educadores. A vítima costuma ser a pessoa mais frágil, com algum traço destoante, como usar óculos, obesidade, alguma deficiência, muitas espinhas, timidez e até o sobrenome diferente vira alvo de piadas. As consequências para quem é agredido são diversas, podendo levar até a maiores tragédias”, disse Simone.

“O diálogo é a principal arma contra o bullying. Os pais que têm um filho passando por esse problema precisam mostrar-se disponíveis para ouvi-lo, aconselhá-lo a não revidar a agressão e entrar em contato com a escola, para que a equipe pedagógica possa intervir na situação, conversando com o agressor, a vítima, e a família. As escolas devem adotar ações diárias de combate ao bullying, através de palestras e discussões, capacitando os professores, trabalhando valores éticos com os alunos e orientando os pais”, ressaltou Simone Côrtes.

O bullying é o comportamento de perturbar ou agredir, verbalmente ou fisicamente, por várias vezes, o outro. Porém, nem todo comportamento de agressão pode ser caracterizado como bullying.

“A pessoa que sofre a ação precisa se ferir emocionalmente com isso. Se o indivíduo agredido não se importar, não pode ser caracterizado como bullying. Há alunos que são chamados de gordos, por exemplo, e não se importam, já outros que não se aceitam e emocionalmente são mais frágeis ficam abalados e traumatizados com o apelido”, explicou Simone Côrtes, que possui 17 anos de experiência em educação e é orientadora educacional, do Centro Educacional Vitória-Régia.

Em relação ao agressor, esses atos reproduzem efeitos negativos em suas futuras relações, o mesmo será uma pessoa fechada a efetivamente, com problemas psicológicos. Muitas pessoas se tornam agressivas. Por isso é importante, conversar com todos os envolvidos, pois tais ações marcam, deixam cicatrizes imperceptíveis em curto prazo.

Ambientes escolar seguro

O caso de Realengo, no Rio de Janeiro, em que Wellington Menezes de Oliveira matou 11 crianças para se vingar da prática de bullying que sofreu na mesma escola, motivou a Comissão de Educação no Senado a aprovar, na última terça-feira (14), um projeto de lei que obriga as escolas a prevenirem e combaterem o bullying.

Na prática, estabelecimentos de ensino públicos e privados precisarão incluir, na Lei das Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a promoção de um ambiente escolar seguro, nas questões relativas ao bullying. Apreciada em caráter terminativo, quando não precisa passar pelo plenário, a matéria segue agora para análise da Câmara dos Deputados

As medidas de prevenção e combate já fazem parte da realidade dos alunos do Vitória-Régia, que realizam palestras com os alunos e discussões com os professores, sobre práticas do bullying.

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