Fenaban não avança na proposta; greve dos bancários continua

Apesar pressão dos trabalhadores, os bancos insistem em oferecer um reajuste de 7% nos salários, abaixo da inflação, e abono de R$3,3 mil, sem compromisso com emprego da categoria. A proposta não cobre nem a inflação do período, já que o INPC de agosto fechou em 9,62% e representa uma perda de 2,39%.

Uma nova rodada de negociação está marcada para a próxima quinta-feira , às 16h, no mesmo local.

Emanoel Souza, presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e membro do Comando, revela que o impasse se deu no modelo adotado para o reajuste. “A Fenaban insiste no debate da inflação futura, ou seja, quer dar um índice abaixo da inflação e compensar com abono. Os trabalhadores querem discutir aumento real de salários”, afirma o dirigente.

A Fenaban também não apresentou retorno das demais reivindicações, já que a minuta apresentada não se refere apenas ao índice de reajuste, no total são 128 artigos, que buscam garantias de emprego, saúde, melhores condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades. O compromisso com o emprego, está entre as principais demandas.

“A greve vem crescendo em todo o país e precisa ser reforçada ainda mais para quebrar a intransigência dos bancos. Só a luta te garante”, lembrou Emanoel Souza.

Em seu oitavo dia, a paralisação fechou cerca de metade das agências do país. De acordo com balanço do comando de greve, 11.531 agências e 48 centros administrativos tiveram as atividades paralisadas. A greve segue forte por todo o país.

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Condições de trabalho

A data-base dos bancários é 1º de setembro e a pauta de reivindicações (entregue no dia 09 de agosto) tem como eixos centrais: reposição da inflação do período (9,62%) mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$3.940,24), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, combate às metas abusivas, ao assédio moral e sexual, fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora, assim como a defesa do emprego, também são prioridades para os bancários.

Os bancários tentam chamar atenção da população para mostrar que a Campanha vai muito além do reajuste salarial. A categoria quer condições dignas de trabalho, pois a rotina nas agências é extenuante. Os cortes nos postos de trabalho são constantes e a reposição não acontece na mesma medida. Entre julho de 2012 e o mesmo mês de 2016, foram extintas 28.992 vagas pelos cinco maiores bancos em atividade no Brasil.

Enquanto a mão de obra é reduzida, a demanda se multiplica nas unidades. No mesmo período, o número de clientes aumentou 90%. Desta forma, não há como prestar um atendimento humanizado. A qualidade da saúde do empregado também sofre abalo. Pressão, metas, cobranças, sobrecarga.

Para cortar custos, o setor mais lucrativo da economia nacional – somente no primeiro semestre deste ano os ganhos chegaram a R$ 29,7 bilhões –, eliminou quase 4 mil caixas entre 2012 e 2014. Os correntistas, que desembolsam um valor alto para pagar taxas e tarifas, são empurrados para correspondentes bancários ou têm de se virar sozinhos com aplicativos ou terminais eletrônicos.

Ao mesmo passo que demite, os bancos fecham agências. Em 2014, por exemplo, havia 23,1 mil unidades em todo o país. Em 2015, o número caiu para 22,9 mil. Mais clientes, menos postos de atendimento e funcionários. A conta não bate.

Fonte: Portal CTB

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