Fonte Nova já aquece comércio da região

“Até nosso parceiro, o banco Itaú, que comercializa dentro do supermercado o cartão Hipercard nos relatou o crescimento no número de adesão”, informa Vinicius Amorim, gerente da loja. Outros tipo de negócios impactados foram as lanchonetes e os restaurantes.

Segundo Amorim, não precisa olhar nas planilhas que demonstram o crescimento de vendas para perceber que os operários do estádio estão fazendo diferença no caixa do supermercado. “Eles estão aqui todos os dias e não é difícil de distingui-los”, comenta. Outra consequência no supermercado trazida pelos trabalhadores estará visível em pouco tempo. “Os indicadores de venda animaram os proprietários a planejar uma reforma no prédio”, releva Amorim, para quem as perspectivas de futuro para a região são as melhores.

Não foi somente o Bompreço que teve um aumento em torno de 10% em suas vendas, o restaurante Dom Passos, localizado na Avenida Joana Angélica, também registrou o mesmo índice, desde o início das obras da Arena Fonte Nova. No seu caso, no entanto, não foram os operários que formaram a nova clientela. “Nossos clientes são o pessoal que trabalha com a parte mais burocrática da obra”, informa o gerente do restaurante, que pediu para não ser identificado.

Contudo, para conseguir esta nova clientela o restaurante teve que fazer um trabalho para atraí-la. “Nós sabemos que eles têm refeitório na obra, por isso foi necessário criarmos uma parceria e oferecermos descontos, tanto para os funcionários de Salvador, como para os que vêm de fora”, relata. Para ele, no entanto, esse aumento de receita significa também uma compensação de perda. “Eles vieram para ocupar o vazio deixado pelos funcionários do Tribunal de Justiça e do Ministério Público que foram remanejados das redondezas para áreas distantes como o CAB”, conta.

O empresário Miel Silva Ramos, proprietário da Lanchonete Campo da Pólvora, localizada em frente ao largo de mesmo nome, também reconhece uma melhora nas vendas. Para ele, no entanto, o fluxo de empregados da obra em seu estabelecimento não é constante, mas responde a uma periodicidade previsível. “São os dias após o recebimento dos salários, depois disso desaparecem para novamente aparecer, mas mesmo assim está sendo muito bom”, conta.

Para ele, isso é só o começo. “Tenho certeza que com a chegada da estação do metrô e a conclusão dos trabalhos de requalificação do local para a Copa do Mundo os benefícios para o comércio da região serão maiores”, disse. Além do aumento nas vendas, Ramos comemora outro efeito positivo que a Copa do Mundo já lhe trouxe. “Tenho recebido muitas ofertas de compra do ponto, mas tenho resistido, pois sei que o futuro promete”, revela.

À espera da requalificação

Os efeitos positivos da construção da Arena Fonte Nova no comércio do seu entorno alcança até o bairro da Saúde. O famoso restaurante 437, localizado na Rua Jogo do Carneiro, tem recebido uma freguesia diferente. “São engenheiros da Fonte Nova, sabemos porque eles comentam ou vêm com crachá”, conta o garçom Antônio Marques Neto. Segundo ele, os novos clientes chegam ao restaurante sempre por indicação e acabam fazendo uma propaganda boca-a-boca que leva outros engenheiros para o local.

Para o proprietário do Armazém 437, Lucio Flavio Neves, esse público não representa um grande impacto no caixa do restaurante, mas, em sua visão, põe luz sobre uma realidade que lhe desagrada mais que agrada. “É sempre bom ter novos clientes, mas este não é o tipo de impacto que estamos esperando, pois já temos a nossa clientela fiel. O que gostaríamos de ver é a Saúde sendo requalificado, o que não aconteceu ainda, nem se sabe se existe algum projeto para o bairro”.

Segundo Neves, faltam restaurantes para o público mais seleto na região e o seu restaurante acaba sendo uma das poucas opções. Ele considera que seria hora de investir neste tipo de oferta, mas culpa o governo por não favorecer investimentos na área.

“Se chegassem e conversassem conosco, se nos dessem algum tipo de garantia, de linha de crédito, de estudo que comprove que o investimento terá sustentabilidade depois da Copa do Mundo, nós investiríamos, mas não estamos sabendo de nada, só vemos que nada está sendo feito no bairro”, aponta.

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