Frente Brasil Popular convoca 1º de maio contra o golpe

A manifestação do dia 1º de maio terá o caráter de assembleia popular da classe trabalhadora e acontecerá no Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista, a partir das 10h. O roteiro do ato prevê um momento inter-religioso, seguido pelo político, com a presença de lideranças partidárias e dos movimentos sociais e sindical, e ainda shows e atrações culturais.

Estão confirmadas as participações de Beth Carvalho, Martinho da Vila, Detonautas, Chico César e Luana Hansen. Também haverá feira gastronômica, unidades móveis de atendimento, atrações para as crianças e outros serviços à população.

Movimentos sociais mobilizados

Integraram a mesa da plenária realizada nesta segunda Flavia Stefanny, presidenta da UEE-SP ; Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares; Orlando Silva, deputado federal pelo PCdoB-SP; representante da Marcha Mundial das Mulheres, e Emídio de Souza, presidente do PT-SP.

O deputado Orlando Silva foi o primeiro a falar e destacou a importância estratégica da frente de resistência ao impeachment.”O que nós construímos nesta semana é um indicativo forte de que nós não vamos desistir, da mesma forma como não desistimos na luta pelas escolas. Não é a primeira vez na história do Brasil que as elites afastam a Constituição para atender seus interesses. Em um dos casos, levaram o Getúlio Vargas, no outro, afastaram pelas armas um presidente democraticamente eleito. Não é um golpe contra o PT, é um golpe contra todo o nosso projeto”, disse Orlando.

Na opinião dele, é preciso mostrar ao povo que o impeachment é golpe e revelar quais as consequências se Michel Temer assumir a presidência. “Eles se utilizam de uma enorme máquina midiática, que tenta iludir o povo contra aqueles que o querem defender. Eles escreveram o que querem implementar no Brasil, é a Ponte Para o Futuro! É aquele projeto dos anos 90, cujo Estado tem pouquíssimas funções e privatiza tudo o que existe de estrutura pública”, lembrou.

Orlando falou sobre o impacto dos acontecimentos do Brasil na América Latina e no mundo. “Quero lembrar a todos aqui que o que acontece no Brasil não é algo exclusivo do nosso país, mas de toda a América Latina. Essa luta não é apenas brasileira, mas dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo”.

Por fim, falou das batalhas a serem travadas num possível governo Temer: “Muitos deputados já estão, desde o ano passado, tentando reduzir os programas de proteção social como o Bolsa Família, que é uma conquista e uma proteção fundamental para o desenvolvimento do Brasil. Eles querem universalizar também a terceirização e a flexibilização dos direitos trabalhistas, que será um imenso ataque aos trabalhadores. Mas esses aí que abraçaram o capeta conhecem agora o inferno da resistência popular, porque aqui no Brasil existem os movimentos organizados dos trabalhadores, dos estudantes, dos aposentados, das mulheres. Vamos lutar, e com muita energia, porque o que eles querem é criminalizar também os movimentos populares – no dia seguinte da votação do impeachment, já pediram uma CPI da Une e uma nova lei que flexibilize a contribuição sindical”, denunciou o deputado.

Diálogo com a população

O presidente do PT-SP falou sobre a estratégia de corpo-a-corpo que adotarão nas próximas semanas: “Nós precisamos cercar os golpistas até a votação no Senado, cobrar de cada um deles a postura de defesa da democracia. O Temer não aguentou um único dia de pressão, botou aqueles seguranças. Nós temos que cobrar especialmente a senadora Marta Suplicy, porque ela foi eleita por muitos dos que estão aqui, com o devido compromisso com a democracia. A nossa ação nas ruas, nos aeroportos, nas redes sociais tem que ser ainda mais intensa. A nossa unidade é o que tem encorajado as pessoas a irem às ruas e enfrentar a discussão”, discursou Emídio.

“Nós temos que valorizar o papel dos artistas, dos intelectuais. Temos que reconhecer o público que se levantou durante a peça com músicas de Chico Buarque reagindo contra declaração do ator/diretor desqualificando a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula; reconhecer o que o Zé de Abreu fez no Faustão. Porque o que vem depois disso, companheiros, é o ataque aos direitos individuais e civis e um ataque direto aos direitos dos trabalhadores”, completou.

Emídio também elogiou o papel da Frente na defesa da democracia: “Estou satisfeito em dizer que o PT reconhece o papel da Frente Brasil Popular. Foram vocês que nos deram fôlego e capacidade de reação. Não tem preço o que está acontecendo aqui, e nós vamos enfrentar essa luta!”.

Fonte: Portal Vermelho

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