Iniciada derrubada de boxes e outros espaços para a nova Estação da Lapa

“A nossa sensação é de falência total, de desespero, de angústia, e também de frustração. Nós, até o último dia, tentamos uma negociação. Tenho que destacar que o secretário Fábio Mota [da Semob] foi uma pessoa sensata, tentando conduzir a situação entre os permissionários e a concessionária. Mas eles estão sendo muito duros com a gente. Não abrem mão de nada, não fizeram qualquer tipo de contrato, apenas dizem que vamos sair. Além disso, também não temos qualquer segurança quanto ao nosso retorno ou não”, reclamou Carlos Braga, vice-presidente da Associação dos Comerciantes da Estação da Lapa.

Para terem um pouco mais de segurança, Braga pediu que a concessionária desse aos permissionários, uma garantia, por escrito, de um contrato. As conversas, segundo ele, entre as partes, foram poucas. Apenas uma pessoa, representando a empresa, foi até eles, em janeiro, dizendo que os comerciantes só poderiam ficar em determinados espaços e quanto teriam que pagar pelos novos espaços, entre aluguel, condomínio e porcentagem das vendas. Ainda de acordo com ele, a concessionária não estaria cumprindo com a ata assinada em reunião, que dizia que um funcionário da Nova Lapa seria designado para conduzir as negociações do contrato.

PREJUÍZOS

Ele, que também é dono de uma copiadora no local e mantém negócios na Estação da Lapa há 17 anos, disse que os prejuízos podem chegar a mais de R$ 30 mil. Ele também teme por outras pessoas que trabalham no equipamento e se queixa dos valores cobrados pela Nova Lapa para que eles possam retornar ao local.

“Eu não sei para onde ir e muitas pessoas também não sabem. Eles estão cobrando uma taxa de R$ 20 mil, a depender do tamanho da loja, aos permissionários. Além disso, estão cobrando R$ 2.500 de aluguel, 20% do condomínio, além de 6% a 10% das nossas vendas que seriam repassadas a eles. É uma série de situações que podem até inviabilizar o negócio”, contou.

Dona de um quiosque que vende cachorro quente no local há quase 30 anos, Magali Esquível lamentou a forma como a situação foi conduzida. “A concessionária, pelo que estamos vendo, está bastante irredutível. Nenhum de nós aqui foi avisado que teríamos que sair exatamente no dia 15 de março. Tentamos até, em algumas reuniões junto a eles, que fossemos realocados para a parte nova do saguão que eles estão fazendo, mas foi negado”, falou.

Magali ainda teme o período que vai ficar sem trabalhar e as condições impostas pela Nova Lapa caso eles voltem a ocupar os futuros espaços. Agora, como vamos ficar sem poder trabalhar? Não tenho a menor noção dos prejuízos que vou ter a partir de agora. E, caso voltemos, seremos obrigados a vender os produtos apenas que eles quiserem. Sem contar os valores altos que estão nos cobrando para manter o espaço depois da obras”, reclamou.

PRIORIDADE

Procurada pela equipe da Tribuna da Bahia, a concessionária Nova Lapa informou, por meio da assessoria de comunicação, que os permissionários que trabalhavam no local terão toda a garantia de retorno aos pontos após a conclusão das obras que estão previstas para março de 2016 e terão prioridade na escolha.

A maioria deles, por sinal, já estaria sendo contatada para as negociações e definindo a sua volta. Questionada com relação às queixas dos permissionários com relação aos valores, a assessoria informou que todas as facilidades de pagamento serão dadas àqueles que forem trabalhar no espaço.

Segundo o titular da Secretaria de Mobilidade da Prefeitura de Salvador, Fábio Mota, várias reuniões foram realizadas entre o órgão e o consórcio na tentativa de se chegar a uma solução para o impasse. “Realizamos muitos encontros com a Nova Lapa, para que eles não saíssem em dezembro, como estava previsto. Conseguimos que eles apenas saíssem apenas agora, tendo isenção de algumas taxas”, falou o secretário.

Segundo ele, os comerciantes queriam permanecer em outros espaços, mas, por questões de segurança, isto não foi possível. Por outro lado, a maioria dos antigos permissionários já teria acertado os novos contratos com a concessionária. “O nosso foco principal, nosso interesse, é que todos os comerciantes que estavam naqueles espaços possam voltar assim que as obras na Estação forem concluídas”, relatou Fábio Mota.

Fonte: Tribuna da Bahia

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