Largo Dois de Julho será requalificado ainda este ano

Quem mora ou transita pelo Largo Dois de Julho, bairro histórico do centro de Salvador que compartilha com o Rio Vermelho as atenções de artistas e boêmios da capital baiana, percebe que algo precisa ser feito na região para que esta retome os seus dias e noites de gloria. A comunidade local se queixa de uma série de problemas, que passam por questões estruturais e de segurança, enquanto a prefeitura, por sua vez, inicia projeto de requalificação e revitalização da área, com prazo de conclusão previsto para o segundo semestre.

Mas, enquanto o Dois de Julho aguarda ansioso por esta independência estrutural, moradores e comerciantes se queixam de inúmeras deficiências que prejudicam a imagem de bairro alternativo cravado entre ruas e prédios antigos. “O Largo Dois de Julho está um pouco sucateado, devido à desordem que tem no comércio local, que termina tirando a beleza natural desse bairro histórico do centro da cidade. Acredito que a prefeitura muito tem que fazer para melhorar e resgatar a história do bairro. Os moradores, principalmente os mais antigos, precisam poder voltar a curtir o bom ambiente que o bairro possui”, observa o professor Roberto Freitas, frequentador assíduo do local.

Ele destaca o quanto a acessibilidade ao Dois de Julho é agradável, feita por ruas, ladeiras e becos seculares. “Você tem acesso fácil a vários tipos de lojas. O que não é bom na verdade é a insegurança, que não é só uma questão local, mas de toda a cidade, porém no centro se acentua mais, principalmente nos finais de semana, quando a região fica mais deserta e atrai delinquentes que vêm pra roubar, porque sabem da boemia do bairro e da fragilidade da segurança pública na região”, destacou.

Dona de salão de beleza no bairro há 10 anos, Maria da Conceição de Souza pinta um cenário atual tenebroso do Largo Dois de Julho: “Sujeira, malucos, mendigos que dá medo, assalto a toda hora, é o que eu ouço aqui e vejo. A luz fraca e que só acendem depois que saio daqui às sete da noite, é lixão ali, o povo joga, a prefeitura pega duas vezes por dia, mas daqui a pouco está tudo cheio de novo. Não vejo nada de bom”, diz. O empresário José Junior Soares da Silva, com loja no largo há mais de 20 anos, concorda plenamente com a vizinha cabeleireira e acrescenta: “A revitalização anunciada ainda está lenta”.

Comerciantes apostam nas mudanças estruturais

José Santos de Oliveira, com 35 anos na Rua do Sodré, destaca que o bairro não é só a praça e inúmeros são os problemas. “Uma fonte que virou foco de dengue, buracos nas ruas, casebres antigos e abandonados que estão caindo, falta de manutenção de esgotos. A reforma já se promete há muito tempo e atualmente ouvimos falar dos boxes. Então a gente ver que não dá pra levar a sério essa questão do bairro Dois de Julho, ainda”, declarou.

Outro comerciante do local, com restaurante de bandeira portuguesa na Praça das Flores, Antonio Moreira da Silva acredita na revitalização e requalificação do bairro. “Já começou, mas eles alegam que as chuvas estão atrapalhando. Mas tudo que se pensar está faltando no Dois de Julho, que já foi bom há 30, 40 anos passados. Hoje está entregue aos usuários de tóxicos, não tem jeito não”, diz.

Já a comerciante Maria José Alves de Oliveira, revela ter percebido o início da reforma que o bairro tanto pede

. “Começou. Deslocaram feirantes de uma área, já temos indícios de obras. Ah, quando chove fica tudo alagado no largo e um cheiro horrível de esgoto. Tudo que venha para melhorar claro que é bem vindo. Agora realmente parece que a revitalização vai acontecer”, comentou.

Com a reforma iniciada, como parte integrante das ações dos programas “Território Empreendedor da Avenida Sete de Setembro” e de “Requalificação dos Mercados de Salvador”, o ambiente do Largo Dois de Julho será totalmente outro, conforme projeto elaborado pela Fundação Mário Leal Filho. Do trabalho consta montagem de canteiro de obras, demolição de estrutura, divisão de boxes, levantamento de alvenaria para o novo mercado, intervenções que implicarão em melhorias no entorno do centro comercial. No total, a prefeitura realizará obras em 6.728m² de área, somando as dimensões da praça, largo e mercado.

A nova estrutura comercial terá 204 m² de área e abrigará um total de cerca de 80 ambulantes. O novo mercado contará com 12 boxes, banheiros e área de convivência, além da implantação de uma feira livre próxima, voltada para o comércio de hortifrutigranjeiros. A reforma fará alterações ainda no mobiliário urbano e terá impacto na estruturação das vias de acesso e o trafego de carga e descarga na região. A pavimentação no entorno da praça será totalmente restaurada e haverá ainda requalificação do sistema de drenagem e da área onde fica a antiga fonte do bairro.

“O Dois de Julho é um bairro emblemático, que tem personalidade própria, roteiro gastronômico e um rico acervo cultural e histórico. As ações que serão realizadas transformarão o bairro, que ficará parecido com o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro”, adianta a secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf, à frente da pasta responsável também pela administração, limpeza e conservação do bem público. Ela afirma que o Dois de Julho precisa ser trabalhado de modo integrado; “Ele está estigmatizado pela violência. Vamos desenvolver um trabalho sócio-educativo com os jovens pra que eles também percebam e conheçam bem a área”, garante, acrescentando que até o fim do mês de outubro as obras estarão concluídas. Além da reforma física da área, os permissionários da feira serão qualificados através de uma parceria com o Sebrae e Senac.

Fonte: Tribuna da Bahia

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