Mandetta se despede e Bolsonaro começa a receber candidatos ao cargo

Em entrevista à revista Veja na noite desta quarta-feira (15), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deixou claro que sua demissão só depende da escolha de outra pessoa para seu cargo.

“A sua saída está certa, pelo que o senhor falou na coletiva de hoje. Até quando o senhor fica?”, indagou a revista. E a resposta: “Fico até encontrarem uma pessoa para assumir meu lugar”.

“Não tem mesmo mais jeito de permanecer no governo, ministro? De permanecer no governo?”, redarguiu a revista. Mandetta foi claro: “Não, não. São 60 dias nessa batalha. Isso cansa!”.

Os 60 dias, segundo o ministro, teriam sido o período em que ele precisou “medir as palavras“. Ele citou ter havido desentendimento e falha de comunicação no governo, mas sem citar nomes.

“Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante”, declarou.

Nelson Teich é cotado

Chegou nesta quinta-feira (16) a Brasília o oncologista Nelson Teich que tem reunião com o presidente Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Ele é um dos cotados a suceder Luiz Henrique Mandetta, que está de saída do Ministério da Saúde.

Teich tem a concorrência do oftalmologista Claudio Lottenberg, que se encontrará com o presidente na sexta-feira (17).

Nelson Luiz Sperle Teich é do Rio de Janeiro e tem fortes defensores dentro do governo. Ele foi fundador do grupo COI (Clínicas Oncológicas Integradas) e teve participação no MDI Instituto de Educação e Pesquisa, no qual era sócio de Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos de Mandetta.

De acordo com os registros oficiais da Receita, a empresa foi fechada em 28 de fevereiro de 2019.

A relação com Denizar não foi interrompida pelo encerramento da sociedade entre eles. Teich também foi consultor do secretário de setembro do ano passado a janeiro deste ano, segundo o próprio oncologista.

O que pensa Nelson Teich

Teich atuou como consultor para a área da saúde na campanha de Bolsonaro em 2018, quando chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Saúde pela primeira vez e acabou perdendo a vaga para Mandetta.

Em 3 de abril, o oncologista publicou artigo no qual faz considerações sobre as ações de enfrentamento à pandemia da covid-19. Ele defende a criação de uma estratégia que “permita estruturar e coordenar a retomada das atividades normais do dia a dia e da economia” e reclama de “polarização” entre a saúde e a economia.

“Esse tipo de problema é desastroso porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas. A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas, entre o bem e o mal“, escreveu.

“Qualquer escolha e ação, seja ela da saúde, econômica ou social, tem que ter na mortalidade o seu desfecho final, por mais difícil que seja chegar a esses números. É a única forma de comparar as ações e escolhas que são feitas de uma forma técnica, justa e equilibrada.”

Teich escreveu que via o isolamento horizontal, no qual todos os que não desempenham atividades essenciais permanecem em casa, era, até o momento da publicação do artigo, a “melhor estratégia” para evitar a propagação do coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro é defensor do chamado isolamento vertical, no qual apenas pessoas do grupo de maior risco para a doença devem permanecer em quarentena.

“Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país“, avaliou Teich.

Sobre o isolamento vertical, o oncologista escreveu:

“Essa estratégia também tem fragilidades e não representaria uma solução definitiva para o problema. Como exemplo, sendo real a informação que a maioria das transmissões acontecem a partir de pessoas sem sintomas, se deixarmos as pessoas com maior risco de morte pela Covid-19 em casa e liberarmos aqueles com menor risco para o trabalho, com o passar do tempo teríamos pessoas assintomáticas transmitindo a doença para as famílias, para as pessoas de alto risco que foram isoladas e ficaram em casa. O ideal seria um isolamento estratégico ou inteligente“.

Fonte: Portal Vermelho, com informações do Poder 360

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