Menores de 18 anos agora podem doar sangue

Da Tribuna

Além disso, a portaria determina que a orientação sexual não deve ser usada como critério para seleção. A norma estabelece o novo Regulamento Técnico de Procedimentos Hemoterápicos, resultado de consulta pública à sociedade. Idosos com 68 anos também podem doar sangue, mas devem passar por avaliação médica.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, os novos critérios visam aumentar a captação de sangue no País e também têm por meta acabar com preconceitos na triagem dos bancos de sangue. Determina que “a orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) não deve ser usada como critério para a seleção de doadores de sangue, por não constituir risco em si próprio”.

Para a diretora da Hemoba, Márcia Babo, a decisão do ministro pode ser que ajude a aumentar a coleta de sangue, mas segundo ela, se não existir um compromisso e campanhas nas escolas, a nova medida pode não surtir efeito. “Nós já faziamos um trabalho nas universidades atingido um público dos 20 aos 25 anos. A nova medida pode surtir um efeito a longo prazo, mas de imediato, é impossível”, confirmou.

Babo ainda comentou que não entendeu direito o que o ministro quis dizer com respeito à orientação sexual, pois na sua visão, isso nunca foi empecilho na hora da seleção. “Não importa a opção sexual do doador, o que perguntamos na entrevista é se a pessoa usa preservativo na hora do ato sexual”, relatou.

A nota enviada pelo ministério ainda afirma que “não deverá haver, no processo de triagem e coleta de sangue, manifestação de preconceito e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, hábitos de vida, atividade profissional, condição socioeconômica, raça, cor e etnia”.

Homossexuais dizem ser discriminados na seleção, quando tentam doar sangue. Recentemente, o ministro Padilha lançou nova campanha para estimular doações e anunciou expansão do teste NAT, que detecta mais rapidamente vírus de hepatite e AIDS no sangue captado nos hemocentros, aumentando a segurança das transfusões.

A Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH) alerta que a proporção de doadores no Brasil é muito baixa. Enquanto a média mundial vai de 3% a 5% da população, no Brasil só 1,9% doaram sangue nos últimos cinco.

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