Metalúrgicos fazem paralisação nacional em defesa do emprego e dos direitos nesta quinta (29)

Ao contrário de atos recentes contra o governo que vêm ocorrendo em toda parte, realizados sempre em pontos tradicionais de manifestação popular, o Dia Nacional de Paralisação dos metalúrgicos ocupará os locais de trabalho ou as áreas que reúnem um conjunto de trabalhadores de várias empresas vizinhas. Os protestos devem envolver também polos importantes dos setores siderúrgicos e naval.

No Rio de Janeiro, a paralisação começa cedo na Itaguaí Construção Naval (ICN), no litoral fluminense, e na Nuclep, dois polos importantes do setor naval brasileiro, que atualmente desenvolvem a construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

O movimento de protesto à retirada de direitos trabalhistas e contra o desemprego e as privatizações começará com piquete na porta das fábricas, com o objetivo de informar e conscientizar os trabalhadores dos riscos enormes que pairam sobre os seus direitos, muito além das consequências geradas pela crise econômica.

“As ‘maldades’ que têm sido divulgadas por este governo nos ajudam a mobilizar e motivar os trabalhadores para que eles não deixem a luta de lado para pensar na sobrevivência. Ou nos mobilizamos ou iremos amargar terceirização, privatizações, demissões e perda de direitos”, afirma Jesus Cardoso Reis, 40 anos, presidente da Sindimetal-RJ e dirigente da Centra dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Vale lembrar que o quadro de crise política e econômica pode sempre ser revertido, mas o fim de direitos trabalhistas e garantias constitucionais já é um cenário bem mais difícil de reverter.

Em Camaçari, na Bahia, o movimento sindical prepara atos junto aos setores siderúrgico, de energia eólica e, principalmente, automotivo. Duas ou três empresas vão paralisar suas atividades e realizar assembleias em suas bases. Também haverá panfletagens e a campanha “Não vote em golpista” pelo voto consciente no próximo dia 2.

O presidente da CTB-Bahia, Aurino Pedreira, diz que o Dia Nacional de Paralisação é um processo preparatório para uma greve geral contra a subtração de direitos da classe trabalhadora. “O objetivo é construir este debate junto aos trabalhadores, contra a flexibilização de direitos e pela retomada do desenvolvimento”, diz Pedreira. Ele conta que na Bahia, empresas como a Vale e a Gerdau estão reduzindo postos de trabalho. O mesmo vem ocorrendo no setor de petróleo.

Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, o sindicato dos metalúrgicos, presidido por Assis Melo, dirigente da CTB, fará caminhada e atos de conscientização da classe trabalhadora em pontos estratégicos do setor. Há previsão de mobilização em ao menos outros 10 municípios do estado. Para Melo, o foco é proteger o emprego e defender a retomada do crescimento econômico no país.

A Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (FitMetal) destaca a importância da unidade de ação da categoria metalúrgica para a construção da mobilização nacional desta quinta (29). “Nossa mobilização é em defesa do desenvolvimento, do emprego e da retomada do crescimento, mas é também uma demonstração de que não aceitaremos as mudanças sinalizadas pelo governo Temer, como a reforma da Previdência e as mudanças na CLT”, diz Marcelino Rocha, presidente da FitMetal.

Em documento lançado pela federação, a categoria alerta que, com o impeachment consumado, o governo ilegítimo de Temer pretende atender com rapidez aos interesses de setores empresariais. “Com isso, propostas como a flexibilização da CLT, aumento da carga horária de trabalho, a possibilidade do negociado prevalecer sobre o legislado nas relações trabalhistas, idade mínima para aposentadoria, a proposta de terceirização para atividades-fim, entre outros projetos, são ameaças reais que surgiram no horizonte dos trabalhadores”, diz manifesto da FitMetal.

Para Adilson Araújo, presidente nacional da CTB, as medidas que a gestão Temer pretende implementar se voltam contra a classe trabalhadora e impõem retrocesso neoliberal ao país ao resgatar a agenda privatista adotada por FHC nos anos 90.

“Esse Dia Nacional de Paralisação mobiliza trabalhadores e trabalhadoras em torno de uma agenda comum, a qual tem por centro resguardar as conquistas do último período e avançar na construção deste projeto, com crescimento econômico, geração de emprego, valorização do trabalho e distribuição de renda. Na contramão, o senhor Temer sinaliza não se importar muito com tais bandeiras e aponta sua mira para os direitos trabalhistas e a reforma da Previdência. A luta e a mobilização em curso deixam claro que os movimentos sindical e social não aceitarão retrocesso”, diz Araújo.

Fonte: Portal CTB

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