Novembro Negro reúne comerciários na sede da categoria

“A mulher negra comerciária, infelizmente, é a mais prejudicada porque nossa sociedade continua racista, machista e preconceituosa. Romper estas barreiras é o objetivo do Novembro Negro dos Comerciários. A busca pelo espaço de poder com a promoção da consciência de classe também faz parte da nossa luta. Na nossa Convenção Coletiva temos uma cláusula que trata da igualdade de oportunidades e é isso que estamos levando para as praças e quatro cantos da cidade porque queremos uma sociedade mais justa e igualitária.”, afirmou Cherry Almeida, secretária de gênero.

Desemprego aumentou para os negros

O número de negros desempregados em Salvador e região metropolitana aumentou em 20 mil entre os anos de 2012 e 2013. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), da Superintendência de Estudos Econômicos (SEI) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre as mulheres negras a taxa de desemprego passou de 21,7% em 2012 para 22,9% em 2013, enquanto que os homens de 14,9% para 15%. Segundo Antonio Suzart, da Fec Bahia, a data é de reflexão. “Para os trabalhadores comerciários, assim como para os demais trabalhadores do país, a data significa um dia de luta e de reflexão. No mercado de trabalho ocupamos postos secundários e temos a consciência de que é preciso mudar. É preciso que sejam dadas as mesmas oportunidades dadas a qualquer outro trabalhador, seja ele negro ou não negro”.

Rendimento

O estudo apontou que os negros formam 94% do total de desempregados. Historicamente o rendimento médio real da população negra é menor que o da não negra. No entanto, em 2013, a distância entre os rendimentos diminuiu. Os homens negros tiveram elevação do rendimento de 6,7% e mulheres 1%. Ou seja, a média salarial passou de R$ 1,108 mil para R$ 1,154 mil.”Embora sejamos maioria absoluta geral, tanto populacional como em população economicamente ativa com mais de 90%, normalmente somos os que ocupam os cargos mais precários, embora muitas das vezes tenhamos qualificações semelhantes a de alguns brancos”, destacou Ana Georgina, coordenadora do Dieese.

Saúde, cultura e moda

No local foram montados stands de orientações sobre saúde bucal; doenças sexualmente transmissíveis; diabetes; hipertensão e doença falciforme, por meio de uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. Também houve um desfile de moda afro, produzido pelo estilista Sinvaldo Tavares, e uma apresentação dos capoeiristas da Associação Cultural de Capoeira Clips. De acordo com a modelo Talita Silva, de 16 anos, no mundo da moda também é preciso confiança no potencial. “Tem que confiar na sua beleza e ter atitude para dar o primeiro passo e conquistar uma carreira de sucesso”. “Meu projeto foi criado para ajudar a fortalecer as possibilidades de inserção do modelo negro no mundo da moda. E com muita força, beleza e qualidade os negros estão conquistando seu espaço.”, completou Sinvaldo.

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