Desemprego de negros cresce em SSA e região, diz SEI

O estudo analisou as condições de inserção da população negra no mercado de trabalho e concluiu que eles representam 94% da parcela total de desempregados. “Temos um mercado de trabalho em que a raça está presente e é elemento estruturante. A desigualdade entre o seguimento de raça perpassa todas as dimensões, desde a entrada no mercado de trabalho, o acesso ao trabalho, a desigualdade no rendimento”, opina o analista da SEI, Luiz Chateaubriand.

Embora a taxa de ocupados entre negros tenha aumentado em 24 mil no ano, também houve crescimento na taxa de desemprego, o que foi impulsinado pelo crescimento da População Economicamente Ativa (PEA), que foi elevada em 46 mil pessoas em 2013. Segundo o estudo, os 8 mil novos postos de trabalho gerados não foram suficientes para o número de pessoas que passaram a fazer parte do mercado. Sendo assim, a pressão que essa parcela exerceu sobre o mercado aumentou o contingente de negros desempregados em 20 mil pessoas.

O movimento foi inverso com a população não negra, que teve redução da PEA e no número de desempregados, em menos 4 mil pessoas. “A população negra está em grupos familiares com menor poder aquisitivo e não tem condição de se ausentar do mercado, como acontece com o não negro”, avalia Chateaubriand.

A taxa de desemprego da população de mulheres negras passou de 21,7% em 2012 para 22,9% em 2013, enquanto que os homens de 14,9% para 15%. Já a população não negra registrou redução de 16,5% para 16,2% (mulheres) e 10,8% a 10,4% (homens).

De acordo com a pesquisa, a população negra contou com crescimento do nível ocupacional em quase todos os setores da atividade econômica, com exceção da indústria de transformação, que registrou queda de 1,7%. No comércio, no setor de reparação de veículos automotores e motocicletes, o aumento foi de 3,5%; na construção 3%; e serviços 1,4%. Em contrapartida, os não negros tiveram redução na maioria dos setores.

Rendimento

Historicamente o rendimento médio real da população negra é menor que o da não negra. No entanto, em 2013, a distância entre os rendimentos diminuiu, uma vez que somente a população negra contou com elevação do rendimento médio real. Os homens negros tiveram elevação do rendimento de 6,7% e mulheres 1%. Ou seja, a média salarial passou de R$ 1,108 mil para R$ 1,154 mil.

O movimento foi contrário para os não negros, cujo rendimento declinou 9,7% para as mulheres e 3,5% para os homens. Em dados gerais, os valores passaram de R$ 1,834 mil para R$ 1,725 mil. “Houve mudanças, porém não são suficientes para ter um mercado livre da desigualdade e do racismo. Esses elementos persistem, embora de um ano para outra tenha uma modificação, aproximação no mercado de raças. A distância ainda é grande, mas ano a ano a gente vem notando pequena diferença”, comenta Luiz Chateaubriand.

Fonte: G1

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