O impacto dos transportes coletivos na vida dos comerciários

Segundo dados da Confederação Nacional de Indústrias em 2011, 62% da população utiliza esse transporte, podendo hoje ultrapassar essa porcentagem, e isso tem tornado um desafio a ser vencido pelos gestores públicos, privado e pela própria sociedade civil.

De todas as modalidades de locomoção, essa é a que recebe as mais severas críticas.

Apesar disso, é quase impossível pensar mobilidade urbana no Brasil sem pensar no transporte coletivo, especialmente nos ônibus. E tudo isso tem gerado um grande impacto na vida dos comerciários. Em uma conversa com Patrícia Costa, da diretoria técnica do Setps (Sindicato das Empresas de Transportes de Salvador) é difícil ter um número exato da quantidade de comerciários que fazem o uso do transporte coletivo, pelo fato de ainda não terem feito um levantamento com esse foco, mas estima-se que quase 45% deles utilizam deste meio de transporte em seu dia a dia.

Uma das principais fontes de insatisfação dos usuários vem justamente da relação ao custo-benefício. A tarifa hoje, na capital baiana, é de R$ 3,30 por percurso, mas para os trabalhadores se faz jus a lei que garante aos seus empregados o benefício do Vale-Transporte, o qual não possuiu característica salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, pois, equipara-se a instrumento de trabalho.

Ainda assim a realidade dos empregados baianos tem sido outra, pois a má distribuição na qualidade dos transportes públicos vem gerando uma contrariedade muito grande por parte deles.

Ônibus lotados, a demora nos pontos de ônibus, e os longos engarrafamentos na cidade, fazem com que muitos deles acabem optando pelos transportes alternativos, como mototáxi, metrô e até mesmo os transportes clandestinos – sendo que estes não são cadastrados pela lei, e não aderem ao beneficio do Vale-Transporte para o trabalhador.

De acordo com Henrique Balthazar, presidente do SINDMOTO (Sindicato dos Motociclistas, Motoboys e Mototaxistas de Salvador), o número de trabalhadores que utilizam a moto táxi como transporte alternativo cresceu assustadoramente nos últimos tempos, mas ainda não obteve um número exato. Uma vez utilizando estes transportes, o salário dos trabalhadores vem sendo afetado indiretamente, pois sem a opção dos coletivos, os mesmos tiram do seu “bolso” para se locomover até os seus trabalhos.

Um “tombo” muito grande em seu orçamento, uma vez que as empresas não repõem o valor em seus salários. O que vem gerando este grande desgaste para os trabalhadores, é o fato de que o transporte público não tem oferecido qualidade à população, e principalmente aos comerciários que dependem do meio para trabalhar.

Contudo, o transporte coletivo é algo apropriado por quase todos, isto é, não tem o estigma de que é exclusivo dos mais pobres, dos que não tem condições para comprar o carro, porém ele vem sendo o vilão no bolso dos comerciários, que precisam dele em seu cotidiano e não o usufruem como deveria devido à péssima qualidade oferecida, e pelos transtornos causados na cidade que impedem dos mesmos baterem o cartão de ponto sem atraso.

Por Karoliny Lima da Ascom/Sindicom

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