Patrões apresentam proposta insolente na 4ª rodada de negociação da campanha salarial

O ineditismo da reunião, no entanto, ficou por conta da proposta apresentada pelos patrões, cujo conteúdo foi considerado descortês aos trabalhadores. A proposta patronal é de realizar negociações fragmentadas, por empresas e setores, o que desconsidera o caráter coletivo e a representação sindical, cuja base é o município.

“Estamos tentando conduzir as conversações na mesa da melhor forma possível. Mas, parece que os patrões não estão compreendendo isso”, afirma o presidente do Sindicato dos Comerciários, Jaelson Dourado.

“Se o diálogo ameno está incompreensível, passaremos a atuar de modo a mostrar que os trabalhadores do comércio de Salvador precisam ser valorizados, pois são eles que fazem o comércio crescer”, manifesta o presidente da entidade de comerciários.

Jaelson reafirmou aos empresários que a economia de Salvador é baseada em comércio e serviços e, portanto, a maior categoria privada da capital baiana precisa de estímulo para produzir. “Isso passa pelo avanço na Convenção Coletiva de 2016, por um salário digno, um piso salarial decente, os domingos pagos, uma alimentação adequada e um ambiente de trabalho que não adoeça e nem acidente os trabalhadores”, afirmou Dourado diante do patronato.

Em sua exposição durante a reunião, Reginaldo Oliveira, presidente da Federação dos Comerciários da Bahia (FEC/BA), disse que patrões e empregados ficam contentes quando o governo promove a valorização do salário mínimo, porque há uma injeção de dinheiro na economia que, imediatamente, tem reflexo no comércio.

Oliveira disse que deveria haver um pacto entre patrões e empregados no sentido da importância da valorização da categoria econômica do comércio que é movida, fundamentalmente, pelo mercado interno.

A divergência sobre a crise

Os empresários expuseram que não concordam com a posição que o Sindicato vem apresentando de que a crise é política. Segundo disseram, a Bahia é o primeiro estado do Brasil, em termos de desemprego. Mas, também afirmaram, contraditoriamente, que demitir é tão oneroso quanto manter os empregos.

Jaelson Dourado, presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador, resgatou a opinião de que a crise é mundial e cíclica, inerente ao sistema capitalista. A atual crise do capital, segundo Jaelson, surgiu no final de 2007 e eclodiu na Europa em 2008. Por uma série de medidas do Governo brasileiro, a chegada da crise foi adiada e contida ao limite da capacidade de intervenção do país.

Propagandear a crise afasta consumidores

No entanto, Jaelson Dourado reforça que a crise porquê passa o Brasil, que não é uma ilha, sofre as consequências do abalo mundial. Segundo o presidente, o cunho político reforçado midiaticamente, acaba provocando consequências econômicas.

“Se a mídia e os empresários ficam repetindo que o país vive momentos de incertezas, é natural que a população que recebe essa enxurrada de informações, acabe ficando recuada, não consuma e, em consequência, esfrie o comércio”, alerta Jaelson.

Reginaldo Oliveira, presidente da FEC/BA, alertou o patronato que “a propaganda da crise é um barco que os comerciantes não deveriam embarcar, pois significa uma espécie de tiro no pé. É como se vocês (empresários) estivessem colocando seus funcionários na porta das lojas e dizendo para os consumidores, repetidamente, para que eles não venham comprar”.

A próxima reunião está marcada para o dia 23 de março e os comérciários esperam que o patronato evolua na proposta, de modo a tratar de forma mais coerente a categoria de trabalhadores do comércio.

Por Sônia Corrêa

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