Presos na Bahia assassinos de Colombiano e Catarina

Depois de longos um ano e 11 meses, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia anunciou nesta quinta-feira (17), que prendeu cinco pessoas envolvidas diretamente nos assassinatos de Colombiano e Catarina. Segundo as investigações, os dois foram mortos a mando do dono do plano de saúde Mastermed, utilizado pelos rodoviários, Claudomiro César Ferreira Santana e de seu irmão Cássio Antonio Cerqueira Santana, devido à insurgência de Colombiano contra os valores absurdos repassados para o plano. O crime foi executado por dois motoqueiros, ainda não identificados, que receberam informações de Edilson Duarte de Araújo, Wagner Luís Lopes de Souza e Adaílton Araújo de Jesus, seguranças de Claudomiro, que seguiram as vítimas por dois dias e estavam no local do crime na hora das execuções.

Desde que assumiu a Diretoria Financeira do Sindicato dos Rodoviários, Colombiano vinha se mostrando insatisfeito com uma série de irregularidades, a principal envolvendo o plano de saúde Mastermed. Entre 2005 e 2010, R$ 106 milhões haviam sido recolhidos e pagos à Mastermed. Desse valor, cerca de R$ 35 milhões eram referentes à taxa de corretagem, valor considerado alto pelo dirigente, que procurou os donos para rever o contrato, mas foi assassinado logo depois. Colombiano tentou apurar ainda o desvio de R$ 1,4 milhão da entidade para contas de alguns diretores, além de se recusar a pagar dívidas não comprovadas em gráficas e postos de combustíveis.

“Paulo Colombiano assumiu o sindicato e quando ele se deparou com o descalabro de desvio, de denúncias as mais variadas, ele tentou colocar ordem na casa. Ele me disse, três dias antes de morrer, que estava estudando a possibilidade de contratar uma auditoria para verificar os escândalos como o valor absurdo cobrado pelo plano de saúde, o pagamento de faturas não existentes de gráficas e postos de combustíveis. E após estas denúncias, três dias depois, ele foi assassinado”, declarou o presidente do PCdoB em Salvador, Geraldo Galindo.

As investigações sobre o caso vão continuar para prender todos os envolvidos no assassinato do casal. “Consideramos uma vitória a elucidação do crime que envolveu Colombiano e Catarina. Queremos manifestar o nosso agradecimento ao governador, que em contato por mais de uma vez com o PCdoB e familiares de Colombiano e Catarina, assegurou que faria todo esforço para elucidar o crime. Foi um compromisso que ele assumiu publicamente com o PCdoB e as famílias das vítimas. E agora, está demonstrado que este compromisso era para valer. Queremos registrar este agradecimento e dizer que nós sempre tivemos confiança que isso aconteceria. Sempre acreditamos que o governador estava empenhado na elucidação deste crime”, afirmou o presidente do PCdoB na Bahia, Daniel Almeida.

Para Almeida, esta é também uma demonstração da capacidade da polícia baiana. “Esta apuração é muito importante para sinalizar que ninguém está acima da lei, que a impunidade não pode ser estímulo para outros crimes. E a investigação também é importante, porque o Paulo Colombiano e Catarina foram vítimas de criminosos que agem contra pessoas que denunciam o crime. Colombiano morreu por causa de sua honestidade e seriedade, morreu por ser sério e honesto, por ter atuado com o padrão de atuação que deve ter quem lida com o dinheiro dos outros, dinheiro público. Por se comportar de forma correta, ela foi vítima deste crime. Então, a elucidação do crime sinaliza também que ser sério, ser honesto tem que valer a pena e precisa ser protegido. Estes atos de seriedade devem ter a proteção do Estado e da sociedade. A elucidação do crime é para dizer para sociedade que vale a pena ser sério, vale a pena ser honesto”, acrescentou.

Alívio e cobrança

Irmão de Catarina, Geraldo Galindo acompanhou atentamente a entrevista coletiva dos integrantes da Secretaria de Segurança Pública e se disse aliviado com a prisão dos mandantes e outros envolvidos no crime. “É um alívio enorme. É um consolo. A nossa dor vai durar até o final das nossas vidas pela perda de dois entes queridos. Mas, o fato do crime ser elucidado, dos mandantes e autores serem presos e punidos exemplarmente, isso é um alívio muito forte para nós”, disse.

“Nós familiares, amigos e militantes do PCdoB nunca esquecemos este crime e sempre fizemos mobilizações, fizemos reuniões com o secretário e o governador para que este crime não caísse no esquecimento. Hoje, a Secretaria de Segurança Pública mostrou que tem uma rede de profissionais qualificados e competentes, que conseguiram desvendar um crime que parecia insolúvel. Nós estamos aliviados, mas vamos continuar a exigir, e a Secretaria vai fazer isso, o que falta ser apurado.”, declarou Galindo.

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