Presidente se contradiz, reduz salário mínimo e prejudica a economia

O último ato de Michel Temer e o primeiro de Bolsonaro são diferentes, mas se parecem em uma coisa: deixar frustrados 48 milhões de trabalhadores que ganham salário mínimo e grande parte dos 20,6 milhões de aposentados e 7,9 milhões de pensionistas.

Se Temer não assinou o decreto que garantia o salário mínimo de R$ 1.006,00 (aprovado pelo Congresso Nacional), Bolsonaro mostrou para quem vai governar ao decretar o valor de R$ 998,00. Os dois acabaram com a política de valorização do benefício estabelecida pelo governo de Lula, em 2003: reajustar o valor pelo crescimento do PIB de dois anos antes, mais a inflação do ano anterior ao aumento.

Assumir o governo e, nas primeiras medidas, reduzir um valor já irrisório para milhões de brasileiros, contradiz os discursos na diplomação e na posse. Fica claro que o presidente vai “jogar para a torcida”, falando em governar para todos e reativar a economia, mas aplicará políticas que só prejudicam quem mais precisa.

PREJUDICA VENDAS

Quem trabalha no comércio sabe a importância de qualquer real nas mãos da maioria do povo. A maior parte do salário e de aposentadorias de milhões de pessoas é direcionada para o consumo das famílias. O dinheiro movimenta setores importantes, como móveis e eletro; calçados; supermercados; confecções; material de construção; automóveis e peças; livrarias; miudezas, entre outros.

É só imaginar quanto representaria mais R$ 8,00 nas mãos de milhões de pessoas todo mês para consumir no comércio. A importância de valorizar o salário mínimo para a economia já foi constatada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE): elevação real do poder aquisitivo de um contingente muito expressivo de brasileiros; ampliação do mercado consumidor; melhorias nas condições de vida das famílias e redução da desigualdade de renda no país.

Segundo cálculos do órgão, o salário mínimo “necessário” para despesas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, seria de R$ 3.959,98, em novembro do ano passado.

É importante ver as centrais sindicais (LEIA AQUI) buscando abrir o diálogo com o novo governo, mostrando a preocupação com medidas que podem agravar a crise no Brasil. Mas, é essencial iniciar um processo de mobilizações para pressionar Executivo e Legislativo no sentido de para com essa onda de retrocessos e ataques aos direitos básicos da população e dos trabalhadores.

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