Réu do STF, Cunha diz em coletiva que não cometeu crime

“Tenho restringido [a comunicação] à notas ou manifestações no Twitter. Isto tem prejudicado muito minha versão dos fatos como também a comunicação. Resolvi voltar com regularidade prestar satisfações, eu mesmo me expor ao debate, às entrevistas porque isto está me prejudicando. Há um nítido cerceamento de defesa meu”, disse.

O peemedebista, acusado de vários crimes de corrupção e réu no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou não ser “nem vilão, nem herói” no processo de impeachment, mas que se orgulha em ter contribuído com o afastamento da presidenta Dilma do cargo. Cunha voltou a dizer que “não tem o que delatar”, pois, segundo afirma, não cometeu crime. Embora haja evidências sobre seu envolvimento em negócios ilícitos relacionados a contratos de empresas com a Petrobras e existência de contas secretas no exterior, o deputado negou veemente todas as acusações.

O processo para afastar Cunha do mandato, sob acusação de beneficiar um grupo de deputados e conduzir as votações na Casa de acordo com seus interesses, começou em outubro do ano passado, quando o PSOL e a Rede entraram com uma representação contra o ex-presidente da Câmara, alegando que ele havia mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, quando negou ser o titular de contas no exterior. No processo que ficou marcado como o mais longo do colegiado, durando oito meses em função do que adversários classificaram de manobras de aliados de Cunha, a cassação acabou sendo aprovada na última semana por 11 votos contra 9. A defesa de Cunha tem até quinta-feira (23) para apresentar recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e tentar reverter o resultado.

Paralelamente ao processo na Câmara, Cunha é alvo de pelo menos cinco processos no STF, além de ter sido, no último mês, afastado do comando da Casa por decisão do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato. A medida, acompanhada pelos 11 ministros da Corte, foi em resposta à acusação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que acusou Cunha de atrapalhar as investigações.

Ontem (20), o presidente afastado da Câmara entrou com recurso no STF questionando o alcance da decisão de Teori Zavascki. O objetivo do acusado é voltar à Câmara para se defender pessoalmente no processo de cassação a que responde na Casa.

Em março deste ano, o STF aceitou outra denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que também o acusa de receber US$ 5 milhões em propina para viabilizar contrato de navios-sonda da Petrobras. O STF já rejeitou o recurso apresentado pela defesa do peemedebista nesse caso.

Fonte: Portal CTB

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