Roda de conversa debate a culpabilização da mulher violentada

Segundo Rosimeire Correia o tema relata alguns acontecimentos que ocorreram nos últimos dias e sintetiza dizendo que a mulher além de ser violentada acaba sendo vítima. “A própria sociedade coloca a mulher como culpada, nós que estamos aqui temos que multiplicar em todos os lugares por onde passarmos o que será debatido, o Sindicato dos Comerciários e o Departamento de Gênero tem essa responsabilidade”, finaliza a secretária.

Além dos representantes do Sindicato, o evento contou com a participação de Celina de Almeida, presidenta da ONG Lei das Marias, o advogado criminalista Horácio de Souza, o psicólogo Tony Lacerda, coordenador do Serviço de Psicologia do Sindesps e do Ministério Público. Ambos trouxeram assuntos pertinentes ao tema em debate e casos que acontecem no dia a dia na vida das mulheres na cidade de Salvador.

Para Jaelson Dourado, presidente do sindicato, a iniciativa de promover esse debate é importante para conscientizar a sociedade e mostrar que a mulher é livre e não deve ser culpada por violências que sofreram.

Dados Alarmantes

Dados divulgados de janeiro a outubro de 2015, pela Central de Atendimento à mulher, da Secretária de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), mostram que apesar de ser um crime e grave violação de direitos humanos, a violência contra a mulher segue vitimando milhares de brasileiras reiteradamente: 38,72% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 33,86%, a agressão é semanal. 67,36% dos relatos, as violências foram cometidas por homens com quem as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo: companheiros, cônjuges, namorados ou amantes, ex-companheiros, ex-cônjuges, ex-namorados ou ex-amantes das vítimas. Já em cerca de 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.

De acordo com estudo divulgado pelo Banco Mundial, é mais fácil uma mulher com idade entre 14 e 44 anos ser estuprada do que ser vítima de câncer ou acidente. A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. São 130 mulheres estupradas todos os dias; as pesquisas mostram que apenas 10% das mulheres violentadas e estupradas têm coragem de denunciar. E apenas 35% das mulheres que apanham dos seus companheiros têm coragem de incriminá-lo. E os números não param por aí: 70% dessas vítimas de estupro são crianças e adolescentes, mais de 80% do sexo feminino.

Nos três primeiros meses de 2016, a Bahia registrou 576 casos de estupro, segundo dados divulgados pela Secretária de Segurança Pública(SSP-BA). O maior número de ocorrências foi em Salvador, que contabilizou 110 casos.

Para combater esses números de violência sofrida por mulheres, principalmente negras e da periferia, Celina de Almeida propõe que uma nova maneira de pensar deve ser criada. “Uma nova rede de enfrentamento deve ser formada, uma força tarefa de se colocar no lugar do outro para que esse índice alarmante venha ser combatido, com novas politicas públicas de combate ao estupro e violência contra as mulheres”, disse Celina.

Já o psicólogo Tony Lacerda reforça. “Esse é um momento de angústia, só com esse sentimento de pura comoção podemos buscar mudanças”, disse o psicólogo ao relatar casos de mulheres que sofreram violência sexual e que mostram um transtorno psicológico.

Os casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 190 ou pelo número 180, da Central de Atendimento à Mulher. Na Bahia, existem 11 delegacias especializadas no atendimento à mulher.Em Salvador duas unidades são especializadas em atendimento, uma está localizada no bairro de Periperi e a outra no bairro de Brotas.

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Sintomas causados pela violência

As pessoas que sofrem estupro passam por trauma severo. Além de serem submetidas a atividades sexuais não desejadas, podem ter vivido também ameaças às suas vidas. Logo após o episódio sofrem de estresse agudo, com despersonalização ou dissociação da consciência, dificuldades de se lembrar de partes importantes do evento, revivência do ataque através do pensamento, memórias ou pesadelos, evitação de coisas, lugares ou pensamentos que lembrem o assalto, ansiedade ou aumento da vigilância, dificuldades de dormir, evitação da vida social e do local de estupro.

A posteriori podem apresentar transtorno de estresse pós-traumático e podem ter dificuldades de se desempenhar tão bem quanto antes, com alterações da concentração, dos padrões de sono e dos hábitos alimentares, por exemplo. Esses transtornos podem durar vários meses e, de certa forma, deixar sequelas subjetivas ou comportamentais.
Além de danos psicológicos, o estupro pode causar lesões físicas, transmitir doenças sexualmente transmissíveis ou gerar uma gravidez não desejada.

À luz da lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, as mulheres têm um amparo jurídico caso sofra qualquer tipo de violência, seja doméstica ou familiar, por ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, moral ou patrimonial, artigo 5º da Lei.

O evento foi encerrado com os participantes da mesa tirando dúvidas de todos ali presentes. Deixando um alerta para a sociedade que vitimiza a mulher, buscando um fim a uma cultura que está implantada na sociedade brasileira.

Por: Daniel Santos e Karoliny Lima da Ascom / Sindicom

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