Salvador tem uma das tarifas mais caras do Brasil

Não foi à toa que durante os três dias de greve dos rodoviários em Salvador nenhum ônibus foi visto circulando pela cidade. Nem as multas de R$ 50 e R$ 100mil/dia foram suficientes para que os empresários colocassem nas ruas o mínimo da frota estabelecido por lei, que seria de 40% nos horários normais e 60% nos horários de pico.

A greve, que durou 3 dias e gerou transtornos para população e trabalhadores, foi necessária devido a intransigência dos empresários, que não cederam nas mesas de negociações. A justiça foi obrigada a intervir e julgar o dissídio, e determinou aumento de 7,5% para os salários, 4,09% para os tíckets e quinquênio (5% do salário base) para aqueles que possuem mais de cinco anos de trabalho efetivo e contínuo na mesma empresa.

Nova tarifa – maior do Brasil

Passados sete dias do início dos transtornos, quando trabalhadores, estudantes e cidadãos precisaram recorrer a ajuda de todos os santos para chegar ao trabalho, às escolas e faculdades ou resolver compromissos inadiáveis, eis que vem a explicação. O Sindicato das Empresas de Transporte de Salvador (SETPS) enviou para a Prefeitura solicitação de aumento da tarifa do transporte público, e caso seja aceita, o valor da passagem passará de R$ 2,50 para R$ 3,15, um aumento de 26%. A passagem de Salvador é uma das mais caras do Brasil. A Prefeitura garante que o valor solicitado não será aprovado, mas, com certeza, não será menor que o valor cobrado em terras fluminenses.

Trabalhador – maior prejudicado

O aumento é abusivo e, caso seja concedido, quem vai pagar é a população, em especial os trabalhadores, que já sofrem com os maus serviços prestados e com ônibus que vivem dando defeito, por se tratar de uma frota antiga que não é renovada nem oferecida a devida manutenção. São eles também que perdem grande parte do seu dia em filas e terminais para pegar ônibus lotados e sem conforto. Além disso, sofre com os constantes assaltos. A situação é ainda pior para os comerciários dos shoppings, que saem do trabalho tarde da noite, não dispõem de transporte suficiente e se tornam presas fáceis para a ação dos bandidos.

Movimentos contra os abusos

Com a ameaça do aumento, novas manifestações estão sendo organizadas e os trabalhadores não podem ficar de fora. Mais uma vez chegou a hora de apoiar as atividades sindicais e dos movimentos estudantis. Vamos refazer o grande movimento realizado em 2003 que ficou conhecido como a “revolta do buzú”, durante o governo Imbassahy, para combater e impedir mais esse descaso da prefeitura com o povo soteropolitano.

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