Sindicato mostra suas bandeiras de luta na festa do Senhor Bonfim

Nesta quinta-feira (14), fiéis, turistas, entidades sindicais e políticos acompanharam o cortejo liderado por 500 baianas.

Às 9h, a caminhada partiu da Basílica da Conceição da Praia, seguindo até a Colina Sagrada, onde acontece a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim. Há 256 anos, a festa atrai uma multidão de pessoas às ruas da Cidade Baixa, em Salvador. De acordo com a Polícia Militar, mais de 1 milhão de pessoas participaram do evento. O governador Jaques Wagner seguiu o cortejo acompanhado por secretários de Estado, deputados estaduais e federais.

Com um panô, um bonecão e vestidos com camisas padronizadas, dirigentes do Sindicato dos Comerciários chamaram atenção da população para as principais reivindicações da campanha salarial desse ano: salário justo, redução da jornada de trabalho e alimentação digna.

– Todos os anos, participamos dessa grande festa popular, sempre trazendo a voz da maior categoria de trabalhadores da cidade. É um momento importante para nossa população e oportuno para mostrarmos nossas mensagens a mais de um milhão de pessoas. O Sindicato busca estar sempre presente nos eventos que fazem parte da vida do nosso povo – disse Jaelson Dourado, presidente da entidade.

Sincretismo

A principal festa religiosa da Bahia é realizada desde 1754, conta com mais de 500 baianas que perfumam a procissão com água-de-cheiro e distribui flores e fitinhas do Senhor do Bonfim para fiéis e turistas. A lavagem une o catolicismo e o Candomblé, com homenagens a Oxalá, deus da paz, amor e harmonia.

Em todo o percurso, a multidão vestida de branco segue reunida para agradecer e pedir novas graças ao Senhor do Bonfim e a Oxalá. Ao chegar na Colina Sagrada, as baianas iniciarão a lavagem das escadarias e do adro da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim.

Este ano, uma segunda procissão será realizada junto com o cortejo principal. Os fiéis sairão da Igreja da Nossa Senhora Mãe de Deus, com destino à Igreja do Bonfim. Antes da missa campal, que acontecerá às 18h, o cortejo alternativo dará três voltas no templo, em referência aos três nós que os fiés dão na fitinha do Senhor do Bonfim ao fazer seus pedidos.

História

Segundo historiadores, a maioria das manifestações populares no estado tem origem portuguesa. Há registros de que as homenagens tenham iniciado em 1754, quando a imagem do Senhor Crucificado – trazida em 1745 pelo Capitão do Mar e Guerra da Marinha Portuguesa, Teodósio Rodrigues – foi transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a sua própria Igreja, na Colina Sagrada.

A lavagem foi iniciada pelos negros africanos e pelas senhoras dos mesários, juntamente com moradores da região, em louvor ao Senhor do Bonfim, à Nossa Senhora da Guia e a São Gonçalo. A particularidade da festa do Senhor do Bonfim é a sua ligação evidente com o Candomblé, pela figura de Oxalá.

A mistura de povos, de credos e culturas e o caráter insólito da festa também renderam proibições e conflitos ao longo dos anos. Em 1889, o então arcebispo da Bahia, Dom Luis Antônio dos Santos, vetou a lavagem do interior da Basílica. A intervenção da Guarda Cívica gerou apreensão de vassouras, violas e cavaquinhos e a festa só voltou a ser realizada dez anos depois. Em 1940, novamente a Arquidiocese tentou proibir a lavagem, embora, desta vez, sem sucesso. Desde então, a festa nunca mais deixou de ser realizada.

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