Sindicatos e centrais se mobilizam contra MP 905

As elites e seus representantes na Câmara Federal se aproveitaram da pandemia de coronavírus para atacar, mais uma vez, os direitos trabalhistas com a votação da MP 905. Agora, a bola está com os senadores, que podem impedir que esse absurdo seja ratificado.

“Justamente nos momentos de crise, em que o Estado deve proteger quem mais precisa, deputados aliados do presidente Bolsonaro traem os trabalhadores. Não vamos aceitar passivamente mais esse abuso”, enfatiza o presidente do Sindicato dos Comerciários, Renato Ezequiel.

Segundo a presidenta do SintraSuper (comerciários de supermercados), Rosa de Souza, mesmo sem poder mobilizar nas ruas, algo deverá ser feito. “As centrais sindicais e confederações nacionais das diversas categorias devem atuar junto aos senadores, em Brasília, para que não referendem a MP”, defende.

CENTRAIS UNIDAS

Após reunião por videoconferência, as principais centrais sindicais do Brasil (CTB, CUT, NCST, Força Sindical, UGT, CSB, Intersindical, CGTB, CSP-CONLUTAS) emitiram uma nota conjunta contra a decisão da Câmara dos Deputados.

No documento, as entidades afirmam que a votação representou mais um “ataque à democracia”, com a maioria dos deputados votando a favor do contrato de trabalho “verde e amarelo”. E que o esforço, agora, será tentar impedir a aprovação no Senado, que tem cinco dias para realizar a votação.

Também destacam que a MP 905 extingue a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e implementa “com força de lei o trabalho análogo à escravidão”, vai facilitar a demissão de trabalhadores, enfraquecer definitivamente os mecanismos de registro e de fiscalização do trabalho, liberar o trabalho aos domingos e feriados, taxar o salário-desemprego para bancar as isenções em benefício dos patrões, sacrificando ainda mais o desempregado.

Para as centrais, a Câmara aprovou a MP 905 de maneira traiçoeira, descumprindo o entendimento com as entidades no sentido de que, durante a crise, o Congresso não votaria nenhuma pauta polêmica em relação aos trabalhadores. Os líderes sindicais procuram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para reivindicar a retirada da medida da Casa.

Com informações da CTB Nacional

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