Sistema de cotas democratiza o acesso ao ensino superior

É o caso da estudante de fisioterapia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) Jailene de Oliveira, que ingressou na instituição por meio das cotas. “Toda a minha vida acadêmica foi em escola pública. No interior que nasci, o ensino lá deixava a desejar. Precisei me esforçar bastante e, com o sistema de cotas, pude realizar o sonho de cursar uma graduação”, comemora.

De acordo com o mantenedor da Faculdade Regional da Bahia (Unirb), professor Carlos Joel Pereira, no Brasil, aproximadamente 10% da população já se graduou com a política de cotas. Ele ainda prevê que esse número aumente para 40% nos próximos anos.

“Entendo que a cota para estudante de escola pública confere o equilíbrio que a sociedade precisa. A inclusão da população por meio das cotas, definidas do ponto de vista econômico, é uma medida que modificará por completo a concepção do ensino superior do Brasil”, conclui.

Qualidade de ensino – Mas, segundo a diretora acadêmica da Faculdade Dom Pedro II, Sílvia Gonçalves, para que o ensino público superior torne-se realmente democrático, é preciso melhorar a qualidade da educação pública.

“O programa de cotas ajuda a equilibrar a desigualdade de competição que existe entre alunos do ensino médio de escolas públicas e privadas. Mas essa reparação histórica deve ser reduzida à medida em que os ensinos fundamental e médio públicos alcancem níveis de qualidade que permitam ao aluno de escola pública condições igualitárias de competição”, observa.

Conforme Sílvia, dados do Enem 2012 apontam que das 30 escolas com as melhores médias gerais, 28 são privadas e duas são públicas, sendo que estas são federais vinculadas a universidades públicas. “Ou seja, são colégios de aplicação, que não correspondem à realidade do ensino médio nacional”, revela a diretora.

Lei de cotas – Em 2013, a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) já irá aplicar integralmente a lei de cotas, sancionada pela presidente Dilma em outubro deste ano. Com a aprovação da lei, as instituições federais têm um prazo de quatro anos para que adotem a reserva de 50% das vagas ao sistema de cotas.

O documento beneficia estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas, além de prever diferenciação em relação ao critério econômico, com previsão de 25% destas vagas para estudantes cujas famílias tenham renda per capita menor ou igual a um salário mínimo e meio.

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