Tabela do Imposto de Renda sem correção prejudica quem ganha pouco

Nesse período em que começa a restituição do Imposto de Renda, é bom fazer uma reflexão sobre o prejuízo que causa a não correção da tabela para quem ganha, em média, dois salários mínimos. Esse ano, mais uma vez, a Receita Federal não corrigiu os valores, pelo menos igual a reposição da inflação. Assim, a faixa de isenção ficou em R$ 1.903,98.

Segundo estudo do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco,) com as sucessivas correções abaixo da inflação na tabela do IR, o contribuinte amarga uma defasagem de 83,12% nos últimos 20 anos. Se a tabela tivesse sido corrigida pela inflação acumulada desde 1996, a faixa de isenção seria atualmente de R$ 3.460,50.

Perde para inflação 

Ainda de acordo com a entidade, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superior a 6% em 2016, o ano passado registrou a maior defasagem anual dos últimos 12 anos. As deduções de dependentes e de educação também estão muito defasadas e não houve qualquer correção. O abatimento dos gastos com dependentes, de R$ 2.275,08 por ano, deveria ser de R$ 4.166,16. O montante deduzido por educação, de R$ 3.561,50, deveria ser de R$ 6.521,85.

O Sindifisco entende que essa falta de correção atinge, principalmente, os trabalhadores que ganham menos, uma contradição num imposto que deveria recolher mais de quem recebe salários mais altos.

Segundo a entidade, quem ganhou R$ 4 mil por mês em 2016 vai pagar 547,84% a mais do que se a tabela tivesse sido corrigida. Já quem conseguiu receber R$ 10 mil vai recolher 62% acima do valor que teria que pagar ao governo.

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