Feira de Cidadania homenageou mulheres e cobrou creches

“Mais uma vez trouxemos para a praça uma discussão importante que é a questão de creches no comércio de Salvador. Sabemos que as comerciárias estão abrindo mão dos seus direitos porque não tem com quem deixar seus filhos. Tivemos aqui hoje várias autoridades e personalidades importantes para discutir a importância da creche na cidade como um todo. A partir de agora vamos ocupar as ruas e solicitar das autoridades creche no comércio já.”, destacou Cherry Almeida, secretária de gênero.

No local foram montados stands com vacinação contra tétano e hepatite B; serviços de orientações odontológicas; aferição de pressão arterial; avaliação corporal e emissão do cartão do SUS, através de parceria com o Conselho e Secretaria Municipais de Saúde. Nas palestras e debates também foram discutidos temas como: violência, saúde, educação, mercado de trabalho e alimentação.

Jaelson Dourado, presidente do Sindicom, lembrou que os horários das creches devem se adequar ao das comerciárias. “É importante observar o horário de funcionamento destas creches, porque os shoppings da cidade encerram as atividades às 22hs e estas trabalhadoras chegam em suas casas por volta das 23hs. A creche precisa ter uma flexibilidade de horários das 7h da manhã até às 23h para atender com um equipamento de qualidade para a guarda dos filhos das trabalhadoras”.

Segundo Rosa Souza, vice-presidente da CTB Bahia, os sindicatos são orientados a defender as creches. “Todos os sindicatos filiados à CTB tem que incorporar bandeiras específicas das mulheres, além da igualdade de oportunidades,e uma delas é a questão da creche, que para nós está na ordem do dia”.

Números

O número reduzido de creches na cidade tem alterado o cenário do comércio. Em 2014 o Sindicato contabilizou cerca de 11mil desligamentos de comerciárias. Deste total, 1,760 (15,42%) foram demitidas ou pediram afastamento após tornarem-se mães e não terem onde deixar os filhos. A ausência de creches afeta diretamente a comerciária Tatiana Vieira. “Meu filho tem 3 anos, não estuda ainda e fica com minha sogra. A dificuldade é quando ela sai, porque eu não tenho com quem deixá-lo e sou obrigada a faltar trabalho ou a deixá-lo com outra pessoa, isso me deixa muito preocupada. Se tivesse creches pública eu sairia tranquila para trabalhar sem preocupações”.

Apesar de a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) estabelecer que os municípios são responsáveis pela oferta e gestão da educação infantil, infelizmente nem o setor público nem o privado tem feito a sua parte. O último Censo do IBGE, realizado em Salvador no ano de 2010, revelou que cerca de 53 mil crianças com idade de 0 a 5 anos estavam fora da escola naquele ano. “A falta de possibilidade de colocar os filhos em uma creche tira muitas mulheres do mercado de trabalho e muitas vezes impede a entrada de outras devido aos empregadores, que entendem que é a mãe quem deve cuidar do filho. Entendem que as responsabilidades familiares são apenas das mulheres e não da família como um todo.”, pontuou Ana Georgina, do Dieese.

Quando foi deputada estadual pelo PCdoB, Kelly Magalhães, que atualmente é assessora especial da Setre e vice-presidente da UBM, deu entrada em um projeto de lei que exigia a instalação de creches em centros comerciais com mais de 40 trabalhadoras. “Vamos continuar nossa luta junto com o Sindicato, governo do estado e com as deputadas da Assembleia Legislativa para aprovar a Lei para que esta ação se torne realidade.”

Reunião com a secretaria de educação

Na quinta-feira (5/3) os diretores do sindicato, Cherry Almeida e Ailton Plínio, se reuniram com o secretário municipal de educação Guilherme Bellintanni e a vereadora Aladilce Souza para falar das demandas das trabalhadoras do comércio. O secretário se mostrou favorável à proposta do Sindicom, que exige a construção de creches em grandes centros comerciais por meio de parceria da prefeitura com o setor privado. Bellintani gostou da ideia e prometeu agendar uma nova reunião para discutir o assunto. “Acho a ideia genial e nos interessa muito. Vou agendar uma reunião com representantes das entidades patronais, como Federação do Comércio e Sindlojas, para apresentar a proposta, e posteriormente vamos nos encontrar para tratar do assunto”.

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Da esquerda para a direita: Guilherme Bellintani, Aladilce Souza, Cherry Almeida e Ailton Plínio.

Também estiveram presentes na Feira representantes da Fec Bahia, Conselho Regional de Nutrição, Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Secretaria Municipal de Saúde, Sindsaúde, APLB Sindicato, Fetracom e líderes sindicais do comércio de Itaberaba, Terra Nova, Maragojipe, Lauro de Freitas, Castro Alves e Irecê.

Na ocasião foi exibido um documentário produzido pelo Sindicato, que registrou depoimentos de comerciárias mães no momento das suas homologações. O grupo Fênix, formado por senhoras da terceira idade, encerrou a atividade.

 

 

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